Paulo Sérgio Pinheiro, relator especial da ONU para a Síria, criticou em carta aberta a participação do Consulado de Israel na Feira Intercultural Internacional, que acontece no dia 23 de abril.
Pinheiro, que também é professor aposentado de Ciência Política da USP e ex-ministro dos Direitos Humanos, ressaltou que a Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (AUCANI) “deveria ter levado em conta a decisão da Corte Internacional de Justiça, que, no ano passado, reconheceu a plausibilidade da ocorrência de um genocídio em Gaza e determinou que o Estado de Israel suspendesse todas as ações que pudessem contribuir para tal crime. No entanto, desde 1948, Israel tem historicamente desconsiderado resoluções e decisões de todos os órgãos políticos e judiciais da ONU”.
Na carta, o relator apelou a AUCANI que “não permita a participação do consulado do Estado de Israel, cujas ações são frontalmente contrárias aos valores da comunidade acadêmica da USP”, e lembrou o episódio recente em que 15 paramédicos foram executados por tropas israelenses em Gaza.
A Feira Intercultural Internacional é, segundo a USP, um espaço para “compartilhar costumes e tradições de diferentes países, promover o intercâmbio cultural e integração de estudantes internacionais”. Os participantes também terão oportunidade de conhecer opções de intercâmbio nos países participantes.
Coreia, França, Índia, Irlanda, Alemanha, Québec e Israel também terão “corners culturais”, onde serão apresentadas tradições dos países. No corner de Israel, haverá dança típica e o evento Shalom & Sugar! Aprenda Hebraico e ganhe um doce.
Paramédicos executados
Um vídeo recuperado do celular de um dos médicos mortos por militares israelenses na Faixa de Gaza contradiz a versão oficial de Israel, que afirma que os militares abriram fogo contra veículos suspeitos que estavam com as luzes desligadas.
Mas a gravação, feita de dentro de uma ambulância, mostra que elas circulavam com as luzes de emergência ligadas. Os veículos foram parados e em seguida os militares israelenses abrem fogo contra os ocupantes.
O caso aconteceu na noite de 23 de março, e os corpos só foram recuperados cinco dias depois. Eles haviam sido enterrados em uma vala comum, ainda com os uniformes de serviço. Entre os mortos, está um funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a entidade, as forças de Israel balearam os trabalhadores “um a um”.