LUTO

Indígena Pataxó é assassinado em mais um caso de violência no sul da Bahia

Marcado por conflitos, território é alvo de especulação imobiliária e de agentes do agronegócio

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Em março, indígenas do sul da Bahia fizeram protesto em Brasília (DF) pela demarcação
Em março, indígenas do sul da Bahia fizeram protesto em Brasília (DF) pela demarcação | Crédito: Tiago Miotto/Cimi

O indígena pataxó João Celestino Lima Filho, 50 anos, foi assassinado em mais um caso de violência relacionada a conflito fundiário no extremo sul da Bahia. Ele foi baleado na sexta-feira (4) e morreu no domingo (6), na área da Terra Indígena de Comexatibá, entre os municípios de Prado e Porto Seguro, lugar marcado por conflitos.

Organizados na retomada da fazenda Jarapa Grande, propriedade sobreposta à área reivindicada como território indígena, os Pataxós foram atacados por homens armados, segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). João Celestino foi baleado no abdômen e chegou a ser levado para uma unidade de atendimento de saúde, mas não resistiu.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra alguns indígenas reunidos. “Sempre a gente vem perdendo guerreiros e essa guerra nunca parou contra os povos indígenas”, diz um deles, que pede auxílio às autoridades para concluir a demarcação do território.

“Só indígena morre e eles acusam que os índios estão atirando neles, mas não morre ninguém. É muito estranho, né?”, diz um indígena morador da área, que pede para não ser identificado.

A região sul da Bahia é marcada pela violência contra os povos indígenas. De acordo com informações do Cimi, o território é cobiçado por agentes do agronegócio e dos setores imobiliário e do turismo.

Em março deste ano, uma família Pataxó teve a casa incendiada no território Comexatibá. O crime aconteceu enquanto cerca de 300 indígenas dos povos Pataxó e Tupinambá participavam, em Brasília (DF), da audiência pública que discutia a demarcação de terras indígenas na Bahia

Casa foi incendiada enquanto indígenas participavam de audiência pela demarcação do território – Arquivo/Indígenas Pataxó

A violência na região, no entanto, é anterior a isso. “No extremo sul baiano, o povo Pataxó luta, há anos, pela conclusão da demarcação das Terras Indígenas (TIs) Comexatibá e Barra Velha do Monte Pascoal. Cansados de esperar por providências do Estado e sem espaço para praticar seu modo de vida tradicional, deram início a um movimento de retomada e autodemarcação de seus territórios, entre 2022 e 2021”, informa um trecho do relatório Violência contra os povos indígenas no Brasil, de 2023, organizado pelo Cimi.

De acordo com o documento, a reação de fazendeiros e latifundiários da região foi de extrema violência e vitimou, no início de 2023, dois jovens Pataxó: Samuel Cristiano do Amor Divino, de 23 anos, e Nauí Brito de Jesus, de 16.

“Entre 2022 e 2023, quatro policiais militares (PMs) foram presos, acusados destes dois assassinatos e do homicídio de Gustavo Pataxó, 14 anos, morto em um ataque em setembro de 2022 na TI Comexatibá”, informa o relatório.

Gustavo Silva da Conceição, o Gustavo Pataxó, foi assassinado em setembro de 2022, em um ataque organizado por cerca de 12 homens. Outro jovem que estava no local foi ferido com um tiro no braço.

Editado por: Nicolau Soares

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