O FUTURO É ANCESTRAL

Filme indígena pernambucano tem estreia em ato nacional dos povos originários, em Brasília (DF)

'Toré Virtual', de Hugo Fulni-ô e Carol Berger, propõe uma experiência sensorial da dança ritualística indígena

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Cena do filme Uxilnexa Dmanedwa, gravado em território indígena Fulni-ô, em Águas Belas (PE) | Crédito: Toré Virtual / divulgação

Nessa quarta-feira (9), durante o 21º Acampamento Terra Livre (ATL), houve a exibição de estreia do filme pernambucano Toré Virtual – Uxilnexa Dmanedwa, realização do cineasta Hugo Fulni-ô e da artista e performer Carol Berger. Além da sessão na tenda de cinema do acampamento indígena, o filme também tem exibições diárias na tenda do povo Fulni-ô. Maior manifestação unificada dos povos indígenas do Brasil, o ATL começou na segunda-feira (7) e segue até esta sexta-feira (11), em Brasília (DF).

O curta-metragem tem 9 minutos e parte da dança ritualística indígena (toré), adotando uma narrativa que une o documental e elementos fantásticos. Arte, sons da natureza e de instrumentos indígenas conduzem a produção, que toca temas como ancestralidade e encantamento, apresentando a cultura indígena como parte do futuro. Parte da imersão no filme se dá com o uso de óculos de realidade virtual. O filme foi gravado no território sagrado do Ouricuri, em Águas Belas (PE), na região Agreste de Pernambuco.

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Os Fulni-ô de Águas Belas são o único grupo étnico da região Nordeste que conseguiu manter viva sua própria língua, o Iatê. O povo também preserva o seu ritual sagrado e político chamado de Ouricuri, com duração de 14 semanas. Todos os anos, no mês de agosto, os Fulni-ôs fazem o esforço de se dirigir à aldeia Ouricuri, onde participam de atividades na língua nativa, reforçam laços afetivos e culturais com o povo e elegem seu pajé, seu cacique e uma liderança. Todas as atividades são restritas aos indígenas da etnia.

Ao longo do segundo semestre de 2025, o filme deve circular em festivais de cinema. Hugo Fulni-ô, que já dirigiu os filmes como Guardiões de um tesouro linguístico e Yoonahle, a Palavra dos Fulni-ô, realiza o seu primeiro filme com o recurso da realidade virtual. O projeto foi desenvolvido ao longo de dois anos, em parceria com tecnologistas criativos, produtores culturais e educadores. As cenas documentais foram gravadas em 2024, durante um laboratório artístico realizado no território indígena.

O Toré Virtual – Uxilnexa Dmanedwa é uma produção conjunta entre o Coletivo Fulni-ô de Cinema, o LabPresença, a Experimento Produções. A obra foi financiada por recursos públicos federais, por meio da Fundação Nacional da Arte (Funarte), e contou com o apoio do Instituto Fulni-ô de Cinema.

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Editado por: Vinicius Sobreira

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