'SEM DESCONTO'

Aposentados foram principais vítimas de descontos irregulares em benefícios do INSS

Operação apontou irregularidades em descontos de mensalidades de associações aplicados sobre benefícios

No audio source provided.
Coletiva de imprensa sobre a operação Sem Desconto realizada nesta quarta-feira (23) | Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (23), a suspensão de todos os acordos de cooperação técnica que permitem que organizações da sociedade civil cobrem, de aposentados e pensionistas, mensalidades associativas descontadas diretamente dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A medida foi anunciada poucas horas após a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagrarem a Operação Sem Desconto, na qual foi determinado também o afastamento cautelar do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e de outros cinco servidores públicos investigados.

A operação apontou irregularidades em descontos de mensalidades de associações aplicados sobre benefícios previdenciários, principalmente aposentadorias e pensões concedidas pelo INSS. Ao todo, estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 foram descontados ilegalmente.

De acordo com a investigação, os descontos foram realizados nos benefícios de aposentados e pensionistas como se eles fizessem parte de associações. Entretanto, eles não haviam autorizado o desconto e sequer haviam se associado. Cerca de 5,4 milhões de contas foram afetadas.

“Os descontos eram, em sua grande maioria, fraudados em função de falsificação de assinatura e de uma série de artifícios utilizados para simular a manifestação de vontade”, explicou Vinicius de Carvalho, ministro da CGU, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira sobre detalhes da operação.

Os investigados podem responder pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, falsificação de documento, organização criminosa e lavagem de capitais.

“Foi uma fraude contra pessoas que estão em uma fase mais adiantada da vida e, por isso, foram vítimas fáceis de criminosos que se apropriaram das pensões e das aposentadorias”, disse o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Os descontos estão sob investigação.

Aos aposentados e pensionistas do INSS que identificarem desconto indevido de mensalidade associativa no extrato de pagamento (contracheque), o governo federal orienta que peçam a exclusão do débito de forma automática pelo aplicativo ou site “Meu INSS“.

Segundo o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, também em coletiva de imprensa, o dinheiro já descontado de maneira irregular será restituído. “Mediante requisição e apuração interna, esse dinheiro terá que ser restituído àqueles dos quais foi retirado indevidamente. Nosso papel é defender o aposentado e pensionista”, disse.

Em nota, o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) apoiou as investigações, destacando que “quando surgem denúncias de descontos irregulares nos benefícios, é essencial que essas alegações sejam levadas a sério e investigadas de forma rigorosa”.

*Com informações da Agência Brasil.

Editado por: Nathallia Fonseca

|

Newsletter