'Da terra à mesa'

Na Feira do MST, MDA anuncia edital de R$ 100 milhões para projetos de transição agroecológica

Assinado no ato de abertura da feira no parque da Água Branca, convênio pretende beneficiar 10 mil famílias camponesas

Ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, fala em mesa de abertura da Feira Nacional da Reforma Agrária | Crédito: Gabriela Moncau/Brasil de Fato

Nesta quinta-feira (8), na abertura da 5ª Feira Nacional da Reforma Agrária, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em São Paulo (SP), o governo federal lançou o edital “Da terra à mesa Brasil”, no qual se compromete a investir R$ 100 milhões em projetos de estruturação produtiva para a transição agroecológica. 

O anúncio aconteceu pouco depois de uma coletiva de imprensa em que Márcio Santos, da coordenação do MST em São Paulo, reafirmou o descontentamento com a velocidade da reforma agrária no país. “Precisamos acelerar”, disse, “e o governo sabe disso”.

Assinado pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, pelo presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), César Aldrighi, e representantes de cooperativas de agricultura familiar, o edital pretende beneficiar 10 mil famílias. O investimento deve variar de R$ 2 milhões a R$ 8 milhões por projeto, que tem de ter como eixos estruturação produtiva, assessoria técnica ou formação. Entre as pessoas beneficiárias, 50% devem ser mulheres agricultoras e 20%, jovens rurais.  

“Nós achamos que é uma iniciativa muito importante para estruturar o processo da organização e produção dos assentamentos”, avalia Diego Moreira, da direção nacional do MST. De acordo com Moreira, para o MST neste primeiro momento devem vir R$ 5 milhões do edital. Desde o início deste mandato do governo Lula (PT), o movimento pressiona pelo aumento do orçamento voltado à reforma agrária.

Ao citar que a atual gestão petista começou o mandato herdando, do governo anterior, um orçamento de R$ 700 milhões para a reforma agrária, Teixeira afirmou que a verba passou para R$ 1 bilhão no segundo ano, R$ 2 bilhão no terceiro. “Espero que possamos ir para o próximo ano com R$ 3 bilhões”, disse.  

O edital, explicou o ministro Paulo Teixeira ao Brasil de Fato, “é um financiamento para a agricultura camponesa que não consegue acessar o Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], que não consegue acessar o empréstimo bancário”. 

O objetivo, diz ele, “é aumentar a produção deste pequeno agricultor para que possa alimentar sua família e ter uma renda vendendo os produtos nas imediações das cidades. O programa é uma reivindicação antiga”. 

Durante a mesa de abertura da feira, o ministro Paulo Teixeira comentou ser perguntado frequentemente sobre a pressão que sofre dos movimentos populares. “Movimento que não faz pressão é pelego. Por isso nunca encarei as críticas e a pressão no plano pessoal. São necessárias num estado que sempre fez para o grande e sempre abandonou o pequeno.”

À reportagem, Teixeira declarou que até o final do ano o governo federal pretende assentar 30 mil famílias. “É um alto índice de entregas da reforma agrária. Dessas, 15 mil já foram equacionadas. Então temos ainda oito meses para resolver o restante dessa meta”, informou o ministro. A próxima entrega de assentamento, informou o ministro, deve ser em Parauapebas (PA) ainda no mês de maio.

Atualmente há cerca de 145 mil famílias vivendo em acampamentos no país. Destas, 100 mil estão ligadas ao MST. O movimento reivindica o assentamento imediato de ao menos 65 mil – o número representa as que aguardam a regularização há mais de 15 anos.  

Editado por: Martina Medina

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