COMUNICAÇÃO

Lula é único porta-voz capaz de enfrentar retórica da direita, diz cientista político

Popularidade do presidente está dentro da margem de erro, mas governo sofre para explicar suas medidas

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante coletiva de imprensa. Palácio do Planalto, Brasília - DF
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante coletiva de imprensa | Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avaliou que a permanência de uma menor popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está relacionada à atuação mais eficaz da direita nas redes sociais e à fragilidade da comunicação do governo, que só pode ser revertida com uma maior aparição do presidente. A análise foi feita em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta quarta-feira (4), após a divulgação da pesquisa Quest, que aponta reprovação de 57% ao governo Lula e aprovação de 40%, em uma variação dentro da margem de erro em relação à pesquisa anterior.

“São vários aspectos, o principal deles é a avalanche de críticas que existem nas redes sociais. Não podemos esquecer que a direita brasileira monetiza suas postagens, muitas delas baseadas em fake news. Mas também pesa contra o governo o fato da comunicação ainda ser muito fraca”, avalia o professor.

Segundo Ramirez, o governo tem falhado em explicar suas medidas, como no caso recente do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que abre espaço para desinformação e exploração por parte da oposição. Ainda assim, ele considera que o cenário poderia ser pior, dado o cerco imposto pelo Congresso, pelas redes e pelos meios de comunicação tradicionais. “O governo Lula vive encurralado […] Ainda há toda uma onda, nas próprias redes sociais, de vitimismo dos bolsonaristas. […] Ao observar os comentários das redes sociais, a culpa [de situações que não têm relação com Lula] é colocada no governo”, exemplifica.

Para o cientista político, a extrema direita continua com força por oferecer explicações “simplistas para problemas muito complexos”, o que ressoa com parte da população pouco acostumada a discursos mais elaborados. Ramirez reforça que, nesse contexto, a esquerda precisa aprender a comunicar suas ideias com mais clareza e conexão com o cotidiano das pessoas. “É preciso também que as esquerdas aprendam, não a linguagem da mentira, mas linguagens mais lúdicas nas redes sociais, saber ter um contato mais próximo com a mentalidade da maioria da população”, defende.

Ao comentar a coletiva de imprensa concedida por Lula no início da semana, na qual o presidente prometeu se comunicar com mais frequência, Ramirez afirma que o próprio Lula é o melhor porta-voz de seu governo. “Faltam esses porta-vozes [na esquerda]. Não tem influenciadores importantes permanentemente falando do governo Lula”, como acontecia na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), compara. “Os ministros são mais intelectualizados do que necessariamente carismáticos. […] Lula que tem o dom, a capacidade de se comunicar com a população”, opina.

Para ele, mesmo diante do desgaste, o índice de 40% de aprovação deve ser considerado expressivo. “É muita coisa diante de inúmeros meios de comunicação jogando contra o próprio governo. […] Lula é a melhor figura para falar do seu próprio governo, […] então é hora dele usar e abusar dos meios de comunicação que tem à sua disposição para se comunicar com a população que mais precisa de ajuda e que é sempre decisiva na hora da eleição”, conclui.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira, uma às 9h e outra às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thalita Pires

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