Cultivo de fome

Governo do DF destrói horta comunitária em Samambaia

Moradores denunciam ação truculenta realizada no dia 27 de junho

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Ação foi conduzida com truculência, de acordo com moradores | Crédito: Foto: André Tavares

Moradores da QR 127 de Samambaia, região administrativa do Distrito Federal, denunciaram na sexta-feira (27) a derrubada de hortas comunitárias que cultivavam há meses. A ação do DF Legal, acompanhada pela Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, demoliu cercas e plantações sem dar tempo para que as famílias recolhessem as plantas.

“Os moradores pediram para recolher as plantas. Pediram para tirar as cercas eles mesmos. Mas o DF Legal não quis conversa e passou o trator por cima de tudo”, conta André Tavares, militante do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores Por Direitos (MTD-DF), um dos responsáveis pela horta.

Durante a demolição, os tratores quebraram tubulações de esgoto, deixando buracos abertos na área por onde crianças passam diariamente. Moradores gravaram vídeos mostrando o estrago. “Olha o buraco com as crianças. Eles meteram o trator com tudo no esgoto”, diz uma moradora indignada.

A comunidade questiona por que apenas as hortas foram alvo da operação. “Se é para limpar a área, então tem que tirar o lixão ali atrás também”, reclama outro morador, apontando para o lixo acumulado que ninguém remove.

O DF Legal justificou a ação dizendo que recebeu denúncias de moradores na Ouvidoria e no Ministério Público. Segundo o órgão, as hortas “bloqueavam passagem e serviam de abrigo para criminosos”. A secretaria afirmou ainda que agiu dentro da lei e não precisava avisar antes de demolir.

“Não tinha nada de irregular”, diz organizador

André Tavares contesta a versão oficial. “Não tinha construção nenhuma no local. A cerca era só para impedir entrada de animais nas plantas. Todo mundo podia entrar”, explica.

Ele conta que a comunidade procurou a administração de Samambaia várias vezes para regularizar o espaço pelo programa Adote uma Praça. “Nunca tivemos resposta. Nunca nos ajudaram”, lamenta.

“Era um lugar onde a comunidade se encontrava. Agora só sobrou terra revirada”, desabafa uma moradora.

Horta era cultivada há meses | Crédito: André Tavares

Além disso, o local das hortas é um terreno vazio que sobrou da construção de uma rua. No sistema do governo, aparece como “área sem uso definido”. E segundo moradores, estava abandonado há anos, acumulando lixo e servindo de esconderijo.

“Com a horta, o lugar ficou limpo e seguro”, explica Tavares.

Os moradores tinham planos para transformar o local em uma praça com horta, parquinho, aparelhos de ginástica e quiosques para vender produtos. Já tinham pedido postes de luz e outros equipamentos. “A gente queria melhorar o bairro. O governo nunca fez nada aqui. Quando a comunidade faz, eles vêm e destroem”, reclama uma moradora em um dos vídeos que circula nas redes sociais.

O MTD-DF disse que em 10 dias, a comunidade faria a colheita do dos alimentos, produzidos sem agrotóxicos, para compartilhar com quem mais precisa.

“Agora, perderam tudo: ferramentas, estrutura, sementes, e um espaço de aprendizado e dignidade. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD/2021), quase 1 em cada 4 famílias no DF enfrenta insegurança alimentar. E o governo responde com repressão a quem planta pra comer”, destaca a organização.

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Editado por: Flavia Quirino

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