Nova rota cambial

‘A ideia é nunca mais usar dólar’, diz empresário brasileiro que importa da China há quase três décadas

Decisão de Caito Maia surge em meio do tarifaço geral do governo Trump

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“Padrinho do punk” Iggy Pop em um evento promocional da marca de óculos de sol Chilli Beans na São Paulo Fashion Week, em São Paulo, Brasil – 13 de abril de 2015 | Crédito: Nelson Almeida | AFP

Após o início do tarifaço imposto pelo governo Trump contra a maioria dos países, o empresário brasileiro Caito Maia, CEO da Chilli Beans, decidiu utilizar o renminbi – a moeda chinesa também chamada yuan –, nas transações com os fornecedores chineses.

“A ideia é que o uso do dólar não volte nunca mais e que façamos todas as transações diretamente com a China: em termos de moeda, compra, comércio, tudo”, disse Maia à revista Exame.

A Chilli Beans é uma empresa brasileira do chamado setor de “fast fashion” que comercializa óculos de sol, óculos de grau e relógios.

O empresário tem manifestado que seu “sonho é fabricar no Brasil”, mas por conta do nível da demanda e dos impostos no nosso país, importa todos os produtos da China.

“A gente não tem nenhuma fábrica no Brasil que possa atender a nossa capacidade”, diz Maia.

O avanço do uso do yuan no Brasil

O yuan começou a ter presença nas reservas internacionais do Brasil apenas em 2019. Em 2022, a moeda já havia superado o euro na composição das reservas: eram 5,37% em yuan contra 4,74% em euros, segundo o Banco Central.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. O país não tem como estratégia a internacionalização completa do yuan, entre outros motivos porque isso limitaria sua capacidade de definir sua própria política monetária, o que pode afetar as políticas internas do país.

Mas o avanço do yuan no comércio internacional vem acontecendo, inclusive em alguns casos fomentado pelas sanções dos Estados Unidos contra países com Irã ou Rússia.

No Brasil, o Banco BoCom BBM, uma joint venture entre o Banco das Comunicações da China (BoCom) e o BBM da Bahia, se tornou o primeiro participante direto no sistema CIPS na América do Sul.

O CIPS é o Sistema de Pagamento Interbancário Transfronteiriço da China (Cross-Border Interbank Payment System, na sigla em inglês), que vem sendo utilizado como alternativa ao SWIFT, o sistema mais utilizado dominado pelo Norte Global.

O BoCom BBM é uma das instituições financeiras que a Chilli Beans poderia utilizar para levar a cabo suas transações em yuan.

Editado por: Thalita Pires

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