Eleições

Direita avança na Bolívia: Rodrigo Paz e Tuto Quiroga lideram e eleição vai ao segundo turno pela primeira vez em 20 anos

Esquerda não governará o país após 20 anos de governos de Evo Morales e Luis Arce

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Rodrigo Paz e Tuto Quiroga podem disputar o segundo turno pela primeira vez em 20 anos na Bolívia | Crédito: Foto: Reprodução/Instagram

A Bolívia terá segundo turno para a escolha do próximo presidente em 19 de outubro. Com mais de 95% das urnas apuradas, o senador Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, com 32,1% dos votos, e Jorge Tuto Quiroga, da coalização Alianza Libre, com 26,8% da preferência do eleitorado, vão disputar o pleito.

O empresário Samuel Doria Medina, favorito até a última semana, terminou em terceiro, com 19,8%, ficando de fora do segundo turno.

As urnas confirmam que, pela primeira vez em duas décadas, a esquerda não chegará ao governo do país. O candidato da Alianza Popular, Andrónico Rodríguez, obteve apenas 8,2% dos votos.

Na sequência aparecem Manfred Reyes Villa, da aliança APB-Súmate (6,6%), e Eduardo del Castillo, ex-ministro de Luis Arce e candidato governista, com 3,1%. Os demais nomes não superaram 2%.

A votação ocorreu em meio à pressão do ex-presidente Evo Morales, impedido de disputar após decisão do Tribunal Constitucional. Morales defendeu o voto nulo como forma de protesto durante as eleições.

Após votar em Lauca Eñe, cercado por camponeses que o protegeram, Morales declarou que “pela primeira vez na história, se não houver fraude, o voto nulo será o primeiro”. O ex-presidente, de 65 anos, afirmou que “desta vez vamos votar, mas não vamos eleger”, em crítica à exclusão de sua candidatura.

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) informou que a jornada transcorreu em tranquilidade, com apenas incidentes isolados. O mais grave envolveu Rodríguez, que foi hostilizado ao votar em Carrasco, no Chapare, região cocalera e reduto histórico de Morales. Alvo de pedras e insultos, precisou sair às pressas. Os agressores seriam apoiadores do ex-presidente, segundo a imprensa boliviana, que rompeu com seu antigo aliado e hoje o acusa de traição. Morales chegou a chamá-lo de “peão do império e da direita.”

Texto modificado às 7h34 para atualização dos percentuais de votos.

Editado por: Rafaella Coury

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