Mobilização

Servidores da saúde iniciam greve em SP e denunciam plantão de 12 horas com vale de R$ 12 para alimentação: ‘Tarcísio é desumano’

Categoria não descarta movimento grevista por tempo indeterminado após descumprimento de acordo firmado pelo governo

No audio source provided.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaúde-SP), Gervásio Foganholi, criticou duramente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pelo descumprimento de um acordo firmado com os trabalhadores da saúde. “Tarcísio é desumano quando ele não prioriza, não olha para esses servidores e esses trabalhadores públicos do estado de São Paulo, que tanto fazem para manter a saúde funcionando”, afirmou, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

A categoria iniciou uma greve nesta quinta-feira (2). Segundo o sindicato, o governo se comprometeu a pagar um bônus até 5 de setembro e reajustar benefícios como o auxílio-alimentação, congelado desde 2018 em R$ 12 por dia, além de aumentar o prêmio de incentivo e gratificações específicas de servidores do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe) e do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira. “O prazo venceu e o governo não cumpriu. Então, retomamos a greve deliberada pela categoria”, disse Foganholi.

Ele lembra que os profissionais de saúde do estado estiveram na linha de frente da pandemia do coronavírus e questiona o tratamento de descaso dado atualmente pelo governo. “Chega a ser desumano trabalhadores que foram elogiados tanto porque enfrentaram uma pandemia no estado de São Paulo, e foram os hospitais públicos que, de fato, enfrentaram todo o processo de atendimento à população na pandemia, ganharem R$12 de auxílio-alimentação. Como alguém se alimenta com R$ 12 por dia? Muitos trabalham em sistemas de plantões de 12 horas”, repudia.

De acordo com o dirigente, 36 unidades de saúde estão paralisadas. “Uma greve na saúde, por menor que seja, sempre tem um impacto no atendimento da população. Mas nós fazemos greve com os hospitais funcionando. Potencializamos e organizamos os setores de urgência, emergência e setores críticos das unidades para que não deixemos sem atendimento as pessoas que mais precisam”, explicou.

O governo estadual alega dificuldades orçamentárias para justificar o atraso nos pagamentos, argumento que o presidente do sindicato contesta. “O governo do estado passa as informações que não são verídicas. O estado não está gastando nem o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, que é 46,56% do orçamento do estado, da arrecadação. Nós estamos distantes de chegarmos próximos dele”, rebateu.

A greve foi deliberada inicialmente por 48 horas, entre esta quarta (2) e sexta-feira (4). O movimento já havia sido aprovado em assembleia em junho, mas foi suspenso após o governo assumir compromissos com a categoria. Como o acordo não foi cumprido, os trabalhadores retomaram a greve. Se não houver avanço nas negociações, a categoria não descarta endurecer a mobilização. “Há uma grande possibilidade, sim, de, na próxima assembleia, os trabalhadores deliberarem um movimento por tempo indeterminado”, anunciou Foganholi.

Em nota, o governo de São Paulo informou que está em diálogo com representantes do sindicato. O comunicado diz que as solicitações estão sendo analisadas e aguardam finalização dos estudos de impacto orçamentário. A Secretaria de Saúde informou que os atendimentos ocorrem normalmente em todas as unidades do estado.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Geisa Marques

|

Newsletter