HISTÓRICO

Torcida do Galo, Gregório Duvivier, sindicatos e mais: cresce o apoio à Tarifa Zero em BH 

Proposta que pode tornar capital mineira a primeira a ter ônibus gratuito será votada nesta sexta (3)

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Torcida do Atlético MG levantou a bandeira da proposta durante um jogo do clube na Arena MRV, na terça-feira (30). | Crédito: Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mais de 12 mil pessoas já assinaram uma petição online a favor do projeto de lei (PL) que busca implementar a Tarifa Zero nos ônibus de Belo Horizonte. A proposta encabeçada pela vereadora Iza Lourença (Psol) será votada nesta sexta-feira (3) no plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). 

Dessas milhares de pessoas que anseiam pela aprovação da proposta na capital mineira, figuras conhecidas do público também fizeram declarações nas redes sociais sobre o momento histórico que a capital mineira pode encabeçar em todo o Brasil. Se aprovada a medida, BH pode ser a primeira entre as capitais brasileiras a instituir a tarifa gratuita universal em ônibus. 

O ator e humorista Gregório Duvivier, por exemplo, durante entrevista ao podcast Calma Urgente!, demonstrou apoio ao PL e chamou a atenção da população da cidade para pressionar os vereadores que ainda não se declararam a favor. 

“Se você é de BH, pressione o seu vereador, pressione os outros vereadores. Eles têm que saber que, se eles votarem contra, eles não vão ser reeleitos. Tarifa Zero é a melhor coisa que uma cidade pode ter. É incrível para tudo, desde o comércio até o trabalho, até a qualidade de vida, o trânsito. Tudo melhora com Tarifa Zero. BH, dê esse exemplo para o resto do Brasil”, defendeu o artista. 

A torcida do Atlético MG também levantou a bandeira da proposta durante um jogo do clube na Arena MRV, na terça-feira (30).  Erguida pela torcida, uma imensa faixa portava os dizeres “a massa quer Busão 0800”. 

O atleticano Lucas Gusmão, criador da página Contra o Vento, levou a discussão também para suas redes sociais. 

“Rapaziada, a massa do galo é a favor da Tarifa Zero nos ônibus de BH. Se Deus quiser, seremos a primeira capital do Brasil e a maior cidade do mundo a ter ônibus de graça para a população”, destacou. 

No sábado (27), blocos tradicionais de carnaval da cidade fizeram uma mobilização em frente à CMBH pedindo pela aprovação da proposta, como parte de uma série de iniciativas da campanha “Virada do Busão 0800”. Cortejos como Juventude Bronzeada, Havayanas Usadas, Tchanzinho Zona Norte e A Roda participaram. 

Álvaro Damião se posiciona contra

A página Podônibus, por sua vez, criticou o prefeito Álvaro Damião (União Brasil), que tem se posicionado contra a proposta. 

“Sabia que o prefeito Álvaro Damião montou um esquema para enquadrar os vereadores e barrar o projeto da Tarifa Zero? Ainda tem muitos indecisos, ou seja, a gente tem chance real de aprovar o projeto e Belo Horizonte pode ter finalmente um busão de graça. O problema é que o Damião quer impedir isso chantageando os vereadores”, alertou um vídeo publicado na terça-feira. 

15 parlamentares ainda não se posicionaram: Bráulio Lara (Novo), Fernanda Altoé (Novo), Pablo Almeida (PL), Uner Augusto (PL), Professora Marli (PP), Flávia Borja (DC), Vile (PL), Juninho Los Hermanos (Avante), Bruno Miranda (PDT), Marilda Portela (PL), Cláudio do Mundo Novo (PL), Marcela Trópia (Novo), José Ferreira (Podemos), Sargento Jalyson (PL) e Maninho Félix (PSD). 

Desses, Fernanda Pereira Altoé afirmou, ao Brasil de Fato MG, que é contrária ao projeto de lei.

:: Leia mais: BH terá Tarifa Zero? Saiba quem são os vereadores que ainda não se posicionaram sobre o projeto ::

“Se manter neutra também é um posicionamento político. O transporte gratuito é sobre garantir acesso à educação, saúde, cultura e dignidade. É também sobre as pessoas com deficiência, sobre as famílias que ela defende diariamente”, defendeu a influenciadora Calliandra, conhecida pela página cumadetravesti. 

Para a comunicadora, a proposta é a expansão de uma experiência que já existe na periferia. 

“Os circulares gratuitos do Aglomerado da Serra mostram que é possível. Agora, é a hora da capital inteira andar junto nesse mesmo caminho”, afirmou.

Tarifa Zero é direito

O belo-horizontino Jorge Valença, que produz conteúdo na internet sobre gastronomia, também defendeu a proposta. 

“Já foi explicado aqui milhares de vezes, não só por mim, por outras pessoas também, que de fato não existe almoço grátis, mas você já paga uma vez. Dinheiro que você paga no imposto, ele já é dado como subsídio, mais de 700 milhões anuais. E, mesmo assim, a galera ainda pensa que é de graça. Sim, não existe almoço de graça, mas também não existe pagar duas vezes, né? E é isso que está acontecendo”, lembrou, em vídeo a respeito de como a tarifa será custeada. 

Entidades sindicais também apoiam

Em nota, divulgada na segunda-feira (29), entidades sindicais apontam que a gratuidade nos ônibus “é uma esperança real de justiça social e alívio financeiro para a população trabalhadora de Belo Horizonte”. 

“Atualmente, até 6% do salário do trabalhador pode ser descontado para custear o vale-transporte. Com a aprovação do PL, esse desconto deixa de existir, garantindo ganho direto no bolso do trabalhador”, afirma a nota. 

::Relembre: A tarifa zero é possível? Entenda como a gratuidade nos ônibus de BH seria financiada::

Para os sindicatos, o projeto cria ainda um financiamento justo, com mais participação das entidades empregadoras, preservando as pequenas empresas. Outras vantagens levantadas estão ligadas à arrecadação de recursos que podem ser investidos na melhoria da frota, na ampliação das linhas e na modernização do sistema de transporte público. 

Assinam a Nota Conjunta dos Sindicatos em Apoio ao PL 60/25: Andes; APUBH UFMG+; Aduemg; ASTHEMG; CTB; CUT; Fenaj; SECBHR; Senge; Sindágua/MG; Sindibel;  Sindcefet-MG; Sindess; Sindicarnes-MG; Sindieletro-MG; Sindifisco-MG; Sindifes;  Sindimetro-MG; Sindipetro-MG; Sindjus; SindRede/BH; Sindpros; Sindsema; Sindslembh; Sinasefe; Sindicato dos Bancários de BH e Região; Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais; Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais de Minas Gerais; Sindicato dos Gráficos MG; Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais; Sindicato dos Psicólogos do Estado de Minas Gerais; Sindute-MG; Sinpro-MG; Sitesemg; Sintappi-MG;  Sinttel-MG; Sitraemg; Sinttec-MG; STTRBH; e UGT


Confira a nota na íntegra aqui.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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