Israel afirmou, nesta quinta-feira (9), que todas as partes assinaram a versão final da primeira fase do acordo com o Hamas para um cessar-fogo em Gaza e a libertação dos prisioneiros israelenses, para encerrar o genocídio palestino que completou dois anos na última terça (7).
A porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, informou que todas as partes assinaram no Egito a versão final deste acordo para a primeira fase do plano, após negociações indiretas na cidade turística de Sharm el Sheikh, com a mediação de Estados Unidos, Catar e Turquia. Agora, ela deve ser ratificada pelo gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, às 14h (horário de Brasília) e entrar em vigor após 24 horas da aprovação.
O plano de 20 pontos foi proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e prevê a libertação dos prisioneiros israelenses vivos em troca da soltura de cerca de 2 mil presos palestinos. Mas Israel disse que o proeminente prisioneiro político palestino Marwan Barghuti, membro do Fatah, partido rival do Hamas não fará parte da troca.
Barghouti é uma figura popular que ganhou destaque e tem sido visto por muitos palestinos como alguém que representa a unidade e as aspirações palestinas de se libertar da ocupação e ter um Estado independente. Ele é frequentemente comparado a Nelson Mandela, da África do Sul, atraindo apoio em todo o mundo. Analistas, no entanto dizem que o fato de ele representar e unificar os palestinos, é a mesma razão pela qual Israel ainda veta seu nome e não quer que ele seja libertado.
Ajuda começa a entrar em Gaza
Em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, território devastado e assolado pela fome extrema, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os palestinos aplaudiram, gritaram de alegria e dançaram após o anúncio do acordo, como mostraram imagens da AFP.
Mas ainda persistem dúvidas sobre outros temas propostos por Trump, como o desarmamento do Hamas e a gestão de Gaza após a trégua por uma autoridade de transição chefiada por ele mesmo. A Turquia disse nesta quinta-feira que participará da fiscalização da implementação do plano e da reconstrução do território palestino.
Netanyahu celebrou o acordo e disse que o magnata estadunidense merece receber o Nobel da Paz, plano que será anunciado nesta sexta. Ele deve visitar Jerusalém no domingo.
Mesmo a após o anúncio, a matança prossegue em Gaza. Pelo menos 10 palestinos foram mortos e 49 ficaram feridos em ataques israelenses na Faixa de Gaza nas últimas 24 horas. Para que o intercâmbio se concretize, o Exército israelense anunciou que prepara a retirada de suas tropas na Faixa de Gaza, que hoje controlam aproximadamente 75% do território.
Segundo uma fonte do Hamas, está previsto que pelo menos 400 caminhões de ajuda humanitária entrem diariamente em Gaza nos primeiros cinco dias de cessar-fogo. A organização Crescente Vermelho egípcia afirmou, nesta quinta-feira, que 153 caminhões com ajuda humanitária estão a caminho da região.
A Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC), organismo apoiado pela ONU, declarou estado de fome extrema em Gaza e uma agência das Nações Unidas atribuiu a situação à “obstrução sistemática de Israel”, uma afirmação desmentida pelos israelenses.
