Destituição

Congresso do Peru afasta a presidente Dina Boluarte; chefe do parlamento assume a presidência

Boluarte foi acusada de corrupção, incluindo o caso 'Rolexgate'

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Quatro presidentes em cinco anos: o último da lista foi José Jerí, que assumiu a presidência interina do Peru em outubro de 2025 e foi destituído em fevereiro deste ano | Crédito: AFP PHOTO/ANDINA/HANDOUT

O Congresso do Peru aprovou de forma unânime o afastamento da presidente Dina Boluarte por “incapacidade moral”, na madrugada desta sexta-feira (10). Agora, o chefe do parlamento peruano, o conservador José Jerí, assumirá a presidência interinamente até as próximas eleições, em abril do ano que vem. 

O afastamento de Boluarte se deu após um pedido assinado por 34 congressistas de diferentes partidos com acusações de corrupção, incluindo o caso “Rolexgate”, que envolve a compra de relógios de luxo sem declaração.

Boluarte, que terminaria o mandato em 28 de julho de 2026, afirmou que o afastamento traz implicações para a estabilidade do país. “Sou a mulher que em 7 de dezembro de 2022, corajosamente assumiu o mandato constitucional como presidente da República, em uma sucessão constitucional após um cenário de golpe de Estado, recebi com honra a faixa presidencial pelo Congresso da República. O mesmo Congresso que hoje aprovou a vacância, com as implicações que isso tem para a estabilidade da democracia em nosso país”, discursou Boluarte após a decisão.

“Em todos os momentos invoquei a unidade, para trabalhar juntos, para lutar pelo nosso país, neste contexto não pensei em mim, mas nos mais de 34 milhões de peruanos que merecem um crescimento com estabilidade democrática e com um governo que funcione sem corrupção como temos feito”, afirmou.

Dina Boluarte assumiu a presidência do Peru em dezembro de 2022, após a destituição e prisão de Pedro Castillo, que tentou dissolver o Congresso. Em seu perfil no X, ele comemorou a destituição.

“A remoção ou renúncia da usurpadora sempre foi uma reivindicação popular. Nesse esforço, os filhos e filhas do povo derramaram seu sangue e perderam suas vidas a mando de um governo. Hoje, a hipocrisia dos golpistas que levaram Dina Boluarte ao poder, vendo que o fim e a justiça eventualmente se aproximarão deles, busca apagar seus rastros da ditadura”, escreveu.

A chegada de Boluarte ao poder desencadeou meses de protestos, especialmente em regiões andinas e indígenas, que foram reprimidos com violência, segundo entidades de direitos humanos. 

Com aprovação entre 2% e 4%, Boluarte enfrenta denúncias de enriquecimento ilícito e ampliou as críticas ao governo ao dobrar o próprio salário. Nos primeiros três meses de sua gestão, mais de 500 protestos pediram sua renúncia.

Durante a sua gestão, a violência no país também bateu recorde: 6.041 pessoas foram assassinadas entre janeiro e agosto, o maior registro para o período desde 2017. Na última quarta-feira (8), a agora ex-presidente responsabiliza a imigração pela situação no país. “Esse crime vem se formando há décadas e foi fortalecido pela imigração ilegal, que governos anteriores não conseguiram combater”, disse.

Editado por: Nathallia Fonseca

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