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CPI do Rio Melchior debate problemas na drenagem urbana e anuncia água tratada para comunidade da Cerâmica

Novacap detalha ações de limpeza e monitoramento

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Representantes da Novacap participaram da apresentação técnica à CPI do Rio Melchior, na Câmara Legislativa do DF. | Crédito: Foto: Ângelo Pignaton/ Agência CLDF

Durante reunião da CPI do Rio Melchior nesta quinta-feira (9), a Câmara Legislativa do DF recebeu representantes da  Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e da Universidade de Brasília (UnB) para discutir os desafios da drenagem urbana, a poluição hídrica e os impactos da atual gestão ambiental no Distrito Federal. Durante a sessão foi anunciado que a comunidade da Cerâmica, no Sol Nascente, receberá, ainda este ano, um sistema de água potável.

Durante o encontro, a deputada Paula Belmonte (Cidadania- DF), presidente da CPI, anunciou que a comunidade da Cerâmica, no Sol Nascente, será contemplada com rede de água encanada, com início das obras previsto para novembro. A medida foi viabilizada por meio de emenda parlamentar, articulada pela comissão junto à Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), após visita técnica que identificou consumo de água contaminada na região e relatos de sintomas de intoxicação em crianças.

“É um compromisso que assumi pessoalmente. Vi mães e avós desesperadas com a situação de vulnerabilidade das crianças. A CPI tem esse papel propositivo, e conseguimos transformar essa dor em ação concreta”, afirmou a parlamentar.

O relator da comissão, deputado Iolando (MDB-DF), ressaltou o valor das informações já levantadas nas oitivas da CPI, que servirão de base para futuras propostas legislativas voltadas à recuperação ambiental e à melhoria da qualidade de vida da população do DF.

Durante a apresentação técnica, o diretor de obras da Novacap, André Luiz Oliveira Vaz, destacou que a companhia tem reforçado o monitoramento da rede de águas pluviais, utilizando, inclusive, tecnologia de vídeo inspeção com robôs. Ele explicou que muitas redes de drenagem nunca passaram por limpeza desde sua instalação, há mais de seis décadas, e que o acúmulo de resíduos, como pneus, sofás e até redes de vôlei é reflexo do descarte irregular de lixo e entulho em áreas urbanas.

O diretor também informou que a Novacap prepara edital para obras de revitalização da drenagem em regiões críticas, como Ceilândia e Taguatinga. O investimento será da ordem de R$ 14 milhões e abrangerá cerca de 3.500 hectares.

Monitoramento falho

Ainda segundo a Novacap, um dos principais focos de poluição do Rio Melchior está nas ligações clandestinas de esgoto em redes pluviais, que é uma prática irregular que compromete a estrutura das tubulações e contamina diretamente os cursos d’água. Embora a companhia não tenha poder de fiscalização ou punição, os pontos de contaminação são identificados pelas inspeções e repassados à Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa).

Para o pesquisador do Departamento de Ecologia da UnB, José Francisco Gonçalves Júnior, o processo atual é falho. Ele criticou a falta de clareza na divisão de atribuições entre Novacap, Adasa e Caesb. “O DF opera com um modelo de monitoramento da qualidade da água da década de 1970. A comunicação entre os órgãos é burocrática e pouco eficiente”, avaliou.

O engenheiro da Novacap, Hiltton Antônio Domingues Moreira, também defendeu que ações técnicas devem ser complementadas por investimentos em educação ambiental. “Sem conscientização da população, nenhum sistema funciona bem”, pontuou.

O professor da UnB José Vicente Elias Bernardi alertou para a gravidade dos dados coletados em visita técnica à Caesb. Ele apontou níveis perigosos de mercúrio no ar e criticou os parâmetros definidos pelo Conama, que, em sua visão, toleram índices elevados demais do metal pesado.

Bernardi também apontou divergências entre os dados obtidos por sua equipe e os apresentados pela Caesb quanto à contaminação da água e do solo. Diante disso, a deputada Paula Belmonte anunciou que a CPI fará nova coleta para contraprova, diretamente na estação de tratamento de água.

A próxima atividade da CPI está marcada para o dia 17 de outubro, quando será realizada uma visita técnica à Escola Classe Guariroba, localizada na DF-180. A reunião desta quinta foi transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital e pelo canal da CLDF no YouTube.

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Editado por: Clivia Mesquita

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