Novo nome

‘É o momento histórico perfeito para que consigamos indicar uma mulher negra ao STF’, defende jurista

Amanda Vitorino acredita que Lula tem oportunidade de deixar marco na história ao escolher mulher negra para Supremo

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Presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na sesesão solene de abertura do ano do Judiciário
Presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na sesesão solene de abertura do ano do Judiciário | Crédito: Antônio Cruz/Agência Brasil

A antecipação da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso abre mais uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e reacende a disputa política pela próxima indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os cotados estão o advogado-geral da União, Jorge Messias, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, e o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Mas, para a jurista Amanda Vitorino, o momento exige um gesto de representatividade.

“Enquanto mulher negra periférica, entendo que o próximo nome a ser indicado deve ser o de uma mulher negra no STF. Isso é muito importante”, afirmou, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.  Para a jurista, o momento oferece uma oportunidade histórica para corrigir desigualdades na composição da Corte. “É o momento histórico perfeito para que consigamos indicar uma mulher negra no STF. Lula tem a possibilidade de trazer um legado, um marco na história, e eu espero que ele não deixe passar essa oportunidade”, complementou.

Vitorino mencionou como exemplos nomes como o da jurista Edilene Lobo e da secretária de Acesso à Justiça, Sheila Carvalho, lembrando que “existem mulheres negras com trajetória técnica e política sólidas”. “O momento que nós vivemos precisa sinalizar a capacidade técnica e a representatividade. O povo precisa se sentir representado dentro do STF”, ressaltou.

Ela também elogiou o nome da ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma das poucas mulheres citadas na lista de possíveis indicadas. “Ela tem o apoio do Grupo Prerrogativas, que é próximo ao PT e tem histórico de militância por direitos humanos. Reconhecer que uma mulher como a Daniela Teixeira está entre esses nomes é muito importante”, disse.

A advogada destacou que o próximo indicado de Lula terá um papel estratégico no equilíbrio entre os Três Poderes. “O Judiciário também tem desenvolvido esse peso de litigância estratégica, de fazer as atividades que o Congresso Nacional não tem feito. Então, esse nome é muito importante”, avaliou.

O movimento Mulher Negra no STF ganhou força com a saída do ministro Ricardo Lewandowski em 2023. A campanha, impulsionada por coletivos como Mulheres Negras Decidem e organizações da sociedade civil, defendia que o Supremo deveria refletir a diversidade do país e incluir, pela primeira vez, uma mulher negra entre seus ministros. Apesar da mobilização, o presidente Lula indicou o ministro Cristiano Zanin para a vaga.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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