O governo federal anunciou uma nova linha de crédito imobiliário voltada à classe média, com o objetivo de ampliar o acesso ao financiamento habitacional e movimentar o mercado da construção. O valor máximo dos imóveis que podem ser financiados passa a ser de R$ 2,25 milhões, e a Caixa Econômica Federal volta a financiar até 80% do valor do imóvel. A medida também permite o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como parte da entrada, alcançando famílias com renda superior a R$ 12 mil, que antes ficavam de fora de programas subsidiados.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a economista Dina Prates explicou que “essa demanda pretende suprir uma grande necessidade de pessoas que tinham um desafio na hora de financiar o seu primeiro imóvel, muitas vezes sem muitas opções dentro do sistema financeiro.”
Segundo ela, o teto na taxa de juros é um dos pontos centrais da proposta. O novo modelo estabelece juros máximos de 12% ao ano, o que, na avaliação da economista, pode tornar o crédito mais atrativo. “Com esse limite, as famílias conseguem ter mais previsibilidade da parcela e um pouco mais de tranquilidade financeira”, explicou.
A possibilidade de utilizar o FGTS também representa uma mudança importante, de acordo com Prates. “Agora, a gente tem o limite do valor da entrada de 20% e posso utilizar tanto recursos próprios como o FGTS para complementar o valor da entrada. Isso traz mais tranquilidade na hora de buscar opções dentro do mercado”, observou.
A economista destaca ainda que a ampliação das instituições financeiras autorizadas a ofertar crédito tende a aumentar a concorrência. “Não só os recursos oriundos da poupança poderão ser usados, mas também outras fontes de financiamento, trazendo mais opções de crédito imobiliário para o mercado”, explicou.
O governo estima que as novas regras permitirão financiar 80 mil imóveis e liberar R$ 111 bilhões em crédito no primeiro ano. Para Dina Prates, essa injeção de recursos deve estimular a economia e gerar empregos. “Essa injeção de recursos impacta na geração de mais emprego e renda, aquecendo o mercado da construção e permitindo que novas moradias sejam feitas”, afirmou.
No longo prazo, ela acredita que o programa pode alterar a dinâmica do setor imobiliário e até os padrões de compra das famílias brasileiras. “Podemos ter uma maior oferta de imóveis e um equilíbrio de preços, além de uma conscientização maior sobre como funciona o financiamento imobiliário”, avaliou.
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