FILHO DA ÁFRICA

Ibrahim Traoré homenageia Sankara, 38 anos após assassinato: ‘Bússula que orienta a Revolução’

Para os jovens até 35 anos, 75% da população de Burkina Faso, o legado de Sankara vive nas medidas do atual presidente

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Com Traoré, o país tem pela primeira vez um Memorial para homenagear Thomas Sankara. O espaço, onde também está o mausoléu do líder revolucionário, foi inaugurado em maio deste ano | Crédito: Presidência de Burkina Faso

Trinta e oito anos após o assassinato do líder pan-africanista Thomas Sankara, o presidente de Burkina Faso, o capitão Ibrahim Traoré, prestou sua homenagem ao pai da Revolução de agosto de 1983 no país do Sahel.

Em uma mensagem à nação, o presidente exaltou o legado de Sankara, descrevendo-o como um homem cujo “compromisso e luta por um Burkina Faso digno, soberano e próspero permanecem inigualáveis.”

“Renovo minha homenagem a este digno filho da África”, destacou Traoré, em mensagem também divulgada em sua conta especial no X (ex-Twitter)

A mensagem de Traoré foi lida pelo primeiro-ministro do país, Jean Emmanuel Ouédraogo, na manha desta quarta-feira (15), durante cerimônia no mausoléu e Memorial Thomas Sankara, onde o líder revolucionário e ex-chefe de Estado (1983–1987) foi morto em 1987 e onde hoje repousam seus restos mortais.

As autoridades anunciaram logo após a leitura da mensagem que todas as primeiras quintas-feiras de cada mês, a partir das 16hrs, uma cerimonia militar será realizada no Memorial, para manter a tocha da revolução de Thomas Sankara acesa.

“Com coragem e orgulho, manteremos acesa a tocha do renascimento burkinabé”, afirmou o presidente antes de concluir a mensagem com o famoso lema sankarista: “A pátria ou a morte, venceremos”.

Ao lado do irmão de Thomas Sankara, Valentin, o presidente de Burkina Faso visitou o local onde o pai da revolução de 1983 foi assassinado e prestou homenagem – Crédito: Presidência de Burkina Faso

Homenagens a Sankara

Todos os anos, no dia 15 de outubro, Burkina Faso e todo o mundo rememoram o trágico massacre que levou a vida de Sankara, um mártir da luta pela emancipação africana que inspira as atuais medidas de ruptura com o Ocidente implementadas pela Aliança dos Estados do Sahel (AES). 

O legado do “Che Guevara” africano, como ficou conhecido, foi retratado no novo documentário do Brasil de Fato, “Sahel Pátia ou Morte”, lançado em 16 de setembro, dia em que se comemorou os dois anos de formação da AES.  

Thomas Sankara foi assassinado em 1987, em uma conspiração liderada por seu então colega Blaise Compaoré, que se tornou presidente do país até 2014,  com o apoio do governo da França. 

Traoré lembrou hoje que o patriotismo e o desenvolvimento endógeno colocados por Sankara seguem atuais.

“A sua ação e o seu discurso constituem uma fonte inesgotável de inspiração e uma bússola que orienta a condução da Revolução Progressista Popular para um novo Burkina Faso”, finalizou Traoré.

Assista Sahel: Pátria ou Morte, documentário do Brasil de Fato:

Editado por: Maria Teresa Cruz
Ler em: English

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