Plano letal

Silêncio do governo Lula sobre ofensiva dos EUA à Venezuela reforça cerco ao país, diz internacionalista

Para professor, plano da CIA expõe dois pesos e duas medidas na política externa do Brasil

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Presidente dos EUA Donald Trump tenta “preparar terreno para intervenção de longo curso” na Venezuela, segundo Gilberto Maringoni
Presidente dos EUA Donald Trump | Crédito: Mandel Ngan/AFP

O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) Gilberto Maringoni criticou o silêncio do governo brasileiro diante da revelação de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a agência de inteligência dos Estados Unidos (CIA) a realizar ações letais secretas na Venezuela. A informação foi publicada pelo jornal New York Times e confirmada pelo próprio Trump nesta quarta-feira (15).

“O Brasil está sendo leniente com uma tentativa de invasão”, afirmou Maringoni, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Na sua avaliação, ausência de um posicionamento oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reforça a percepção de “dois pesos e duas medidas” na política externa.

O professor lembrou que o Brasil não reconheceu as eleições venezuelanas e bloqueou a entrada do país no Brics, mas “prontamente reconheceu” a eleição “quase sob estado de sítio” no Equador e o golpe de Dina Boluarte no Peru. “Agora, fica mudo sobre essa tentativa de invasão. Isso que o Brasil faz, tacitamente, acaba reforçando o cerco à Venezuela”, avaliou. Para ele, uma declaração firme de Lula poderia “desgastar internacionalmente essa tentativa de golpe”, dada sua influência no cenário global.

Ameaça à soberania latino-americana

Maringoni classificou como “demagogia pura” a justificativa de combate ao narcotráfico usada por Washington. Ele acredita que o objetivo dos EUA é intervir militarmente na Venezuela. “É gravíssima essa revelação. Trump está preparando o terreno para uma intervenção de longo curso sob o pretexto de combater cartéis de drogas. É uma hipocrisia, porque cartéis de drogas você não combate metralhando, jogando mísseis sobre pequenos barcos de pescadores em águas internacionais. Isso é jogo de cena”, disse.

O professor também relacionou a nova ofensiva de Trump à disputa geopolítica com a China pelo controle das chamadas terras raras, minerais estratégicos usados na indústria tecnológica e militar. “Quase 80% do armamento de última geração dos Estados Unidos precisa de terras raras. A China domina 90% do mercado mundial e o segundo maior território com essas reservas é o Brasil. É isso que interessa a Trump”, explicou.

A declaração ocorre no mesmo dia em que o ministro Mauro Vieira se reúne com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington, nesta quinta-feira (16). Segundo o Itamaraty, o encontro deve tratar de temas comerciais e de cooperação tecnológica. Para Maringoni, “não é uma negociação de bonzinho. A química que o Lula fala é a química das terras raras”, indicou, em referência à fala recente do presidente de que “pintou uma química” com Trump.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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