O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desembarcou nesta quarta-feira (22) em Jacarta, capital da Indonésia, onde fará uma visita oficial de dois dias em retribuição à visita ao Brasil do presidente indonésio Prabowo Subianto, em julho passado. Essa é a primeira visita oficial de um presidente brasileiro ao país asiático desde 2008, quando foi visitado pelo próprio Lula.
Além da assinatura de acordos de cooperação em diversas áreas, o presidente brasileiro deve dialogar com o chefe do Executivo da Indonésia sobre a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que vai ser realizada em Belém, no mês de novembro. O país é um dos territórios com maior cobertura florestal no mundo, que colaborou na criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, por sua sigla em inglês). Essa é uma das principais iniciativas da presidência brasileira da COP, para o financiamento da manutenção e preservação das florestas úmidas no planeta.
De 24 a 28 de outubro, o presidente visita a Malásia. A diplomacia brasileira trabalha para que, entre as agendas nos dois países, seja viabilizado um encontro entre o presidente Lula, e o estadunidense, Donald Trump, ainda sem confirmação.
Agenda em Jacarta
Na quinta-feira (23), o presidente manterá reunião de trabalho com seu homólogo Prabowo Subianto. Segundo o Itamaraty, na pauta estão temas da agenda bilateral, regional e multilateral, e devem ser assinados acordos de cooperação nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, energia e recursos minerais, medidas sanitárias e fitossanitárias.
Nesse mesmo dia, Lula participa do Fórum Econômico Brasil-Indonésia, que reunirá lideranças do setor privado dos dois países. Segundo o Itamaraty, “Brasil e Indonésia estabeleceram Parceria Estratégica em 2008, a primeira do Brasil no Sudeste Asiático”.
“A Indonésia é parceira estratégica do Brasil desde 2008 e é a terceira maior democracia do mundo, a quarta nação mais populosa e a principal economia da Asean. Os contatos de alto nível entre o Brasil e a Indonésia têm se intensificado nos últimos anos”, disse o embaixador Everton Lucero, diretor do Departamento de Índia, Sul e Sudeste da Ásia do Itamaraty.
Ainda segundo a diplomacia brasileira, em setembro de 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Indonésia alcançou US$ 567,8 milhões e o país asiático é o 19º entre os principais destinos dos produtos brasileiros. Esses, por sua vez, são principalmente farelo de soja, óleos brutos de petróleo, açúcares e melaço, enquanto importa gorduras e óleos vegetais, calçados e peças automotivas.
Já na sexta-feira (24), o presidente brasileiro visita a sede do Secretariado da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), onde deve reunir com o secretário-geral da organização, Kao Kim Hourn.
Rumo à Malásia: 47ª Cúpula da Asean
Na mesma sexta-feira, Lula embarca rumo a Kuala Lumpur, capital da Malásia, onde vai participar da 47ª Cúpula da Asean. O bloco, que reúne mais de 680 milhões de habitantes, é visto como um parceiro estratégico para a diplomacia brasileira.
“É uma oportunidade de encontro com diversos líderes mundiais, já que todos os grandes países têm algum tipo de relação com a Asean e participam das cúpulas. Desde 2023, o Brasil mantém com a Asean uma parceria de diálogo setorial”, explica Lucero. “O comércio do Brasil com os países da Asean já superou US$ 37 bilhões em 2024 e continua crescendo”, completa.
O presidente Lula ainda deve se reunir com o primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, com quem pretende dialogar sobre o comércio bilateral, com foco nos setores de energia, ciência, tecnologia e inovação.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) brasileiro, o intercâmbio comercial entre Brasil e Malásia chegou a US$ 487,2 milhões em setembro de 2025, sendo US$ 346,4 milhões em exportações brasileiras e US$ 140,9 milhões em importações.
Durante a passagem pela Malásia, o presidente Lula vai receber o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia, em reconhecimento à sua trajetória política e à atuação em prol da inclusão social e da cooperação internacional.
