O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) será recebido pelo Papa Leão 14 nesta quinta-feira (23), pela primeira vez. A quinta edição do Encontro Mundial de Movimentos Populares será realizado no Vaticano e contará com a participação de 130 movimentos populares do mundo todo.
A audiência com o pontífice será seguida, nos dias 25 e 26, pelo Jubileu dos Movimentos Populares, que incluirá uma missa na Praça de São Pedro. O evento dá sequência a interlocução iniciada por Papa Francisco em 2014, quando a Igreja Católica começou a fortalecer os laços com movimentos sociais e organizações em defesa dos direitos humanos.
A luta pela reforma agrária, moradia e os direitos dos trabalhadores devem ser os temas centrais da reunião. “Além de aprofundarmos o debate sobre o eixo fundamental dessa articulação, Terra, Teto e Trabalho, pretendemos debater também alguns temas candentes do contexto geopolítico atual, como a temática das guerras e a importância da bandeira da Paz, a crise do modelo de representação política, a crise imigratória como consequência do capitalismo e também a crise ambiental, buscando construir sínteses de coletivas, desde uma perspectiva popular”, disse Rodrigo Suñe membro da Articulação Internacional dos Povos (AIP), que está presente no encontro.
A dirigente nacional do MST Ayala Ferreira representará o Brasil no encontro, ela afirmou esperar “um encontro fraterno e com compromissos concretos” por conta do agravamento das desigualdades sociais.
O encontro constitui “um chamado para que os movimentos continuem caminhando junto à Igreja na construção de um mundo mais fraterno”, apontou em nota o MST.
Em 2024, o Papa Francisco já havia demonstrado apoio simbólico ao movimento, ao abençoar a bandeira do MST durante o evento “Arena da Paz”, também no Vaticano. Na ocasião, o líder do movimento, João Pedro Stedile, citou Dom Pedro Casaldáliga: “malditas sejam todas as cercas; malditas todas as propriedades privadas que nos impedem de viver e amar.”
