Resistência

Petro diz que jamais vai se ajoelhar após EUA o sancionarem sem apresentar provas

Presidente da Colômbia é conhecido como defensor do Estado palestino e crítico dos ataques norte-americanos no Caribe

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Colombian president Gustavo Petro speaks during the General Debate of the United Nations General Assembly at the UN headquarters in New York City on September 23, 2025. Colombia’s President Gustavo Petro called at the UN General Assembly Tuesday for a “criminal process” to be opened against counterpart Donald Trump for US strikes on alleged drug trafficking boats in the Caribbean. (Photo by Leonardo MUNOZ / AFP)

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (24) que o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, foi incluído na lista de indivíduos sancionados pela Casa Branca.

A medida foi tomada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), ligado ao Departamento do Tesouro, e abarca também a primeira-dama Verónica Alcocer, o filho de presidente, Nicolás Petro, e o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, justificou a medida aludindo a um suposto informe no qual constaria a informação de que “a produção de cocaína na Colômbia disparou para a taxa mais alta em décadas desde a chegada de Petro ao poder (em agosto de 2022), o que inundou os Estados Unidos de drogas e envenenou a nossa população”.

“O presidente Petro permitiu que cartéis de drogas prosperassem e se recusou a interromper essa atividade. Hoje, o presidente (Donald) Trump está tomando medidas enérgicas para proteger nossa nação e deixar claro que não toleraremos o tráfico de drogas em nosso país”, acrescentou a autoridade norte-americana.

‘Jamais me ajoelharei’

Poucos minutos após a divulgação das sanções, o presidente colombiano publicou sua primeira mensagem comentando a punição que sofreu por parte do governo dos Estados Unidos.

Em uma postagem divulgada em suas redes sociais, Petro começou mencionando o senador norte-americano Bernie Moreno, do Partido Republicano, um dos mais constantes defensores, dentro do Congresso estadunidense, de que fossem aplicadas sanções contra ele.

“Efetivamente, a ameaça de Bernie Moreno se cumpriu, eu e meus filhos, e também minha esposa, entramos para a lista da OFAC”, disse o mandatário, na introdução de sua mensagem.

Em seguida, ele afirmou que seu advogado nos Estados Unidos será Dany Kovalik e ironizou a justificativa usada por Bessent. “Minha luta contra o narcotráfico durante décadas e com eficácia me traz está medida tomada pelo governo da sociedade que nós tanto ajudamos ao deter seu consumo de cocaína”.

“Isso tudo é um paradoxo, mas não vou dar nenhum passo para trás, e jamais me ajoelharei”, concluiu Petro.

Por sua vez, o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti, disse que foi colocado na lista “por ter defendido a dignidade do país e do presidente Gustavo Petro, que não é um narcotraficante”.

“Isso mostra que todo império é injusto e que sua guerra antidrogas é uma farsa”, acrescentou.

Petro contra os EUA

A tensão entre Petro e o governo dos Estados Unidos vem escalando há alguns meses, especialmente por duas posturas adotadas pelo mandatário colombiano: sua defesa do reconhecimento do Estado da Palestina e suas críticas aos ataques feitos desde setembro pela Marinha norte-americana contra embarcações no Mar do Caribe.

Em setembro deste ano, durante seu discurso na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o mandatário colombiano disse que “a política antidrogas não é para deter a cocaína que chega aos Estados Unidos, a política antidrogas é para dominar os povos do sul em geral”.

Nas últimas semanas, em meio aos ataques constantes lançados pelos norte-americanos contra barcos que navegam pelo Mar do Caribe, Petro disse que Washington estaria cometendo “assassinato” e violando a soberania dos países da região.

Essa postura levou Trump a acusá-lo de “líder do tráfico ilegal de drogas” e a fazer sua primeira alusão a uma possível punição, em declaração dada no começo desta semana.

“Ele (Petro) é um bandido, um homem mau e está produzindo muita droga. Eles têm fábricas de cocaína”, alegou Trump, sem apresentar provas para comprovar tais afirmações.

Na ocasião, Petro respondeu dizendo que Trump “não é um rei na Colômbia, aqui nós não aceitamos reis” – o que, ademais, soou como uma alusão de apoio às multitudinárias manifestações contra o presidente estadunidense realizadas em diferentes cidades do país no último domingo (19/10).

EUA enviam porta-aviões para América do Sul

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou também nesta sexta-feira (24/10) o envio do porta-aviões USS Gerald Ford para as águas da América do Sul, reforçando a presença militar norte-americana com embarcação, que é descrita pela Marinha dos EUA como “a plataforma de combate mais capaz, adaptável e letal do mundo”.

O anúncio ocorre no mesmo dia em que Hegseth confirmou o décimo ataque contra uma embarcação suspeita de tráfico de drogas. A ação acontece um dia após Washington divulgar exercícios militares conjuntos com Trinidad e Tobago, a poucos quilômetros da costa venezuelana, ampliando a tensão sobre uma eventual ação militar para derrubar o governo de Nicolás Maduro.

Segundo o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, “a presença reforçada das forças americanas na Área de Comando Sul dos Estados Unidos aumentará a capacidade dos EUA de detectar, monitorar e interromper atividades ilícitas que ameacem a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental”.

Além do navio, o contratorpedeiro USS Gravely deve chegar neste domingo (26/10) a Porto Espanha, capital de Trinidad e Tobago, onde permanecerá em exercícios até o fim do mês.

Com o envio do USS Gerald Ford e a intensificação das operações navais, cresce o temor de que a “guerra às drogas” de Donald Trump evolua para um confronto direto no hemisfério sul, o que poderia desestabilizar a região e provocar uma grave crise humanitária.

Editado por: Opera Mundi
Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

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