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Cuba entra em alerta máximo e inicia evacuações para chegada do furacão Melissa

Estima-se que aproximadamente 7% da população cubana precise ser protegida

Um trator carrega galhos de árvores podadas em um caminhão antes da chegada da Tempestade Tropical Melissa em Santiago de Cuba, em 25 de outubro de 2025. Cuba começou os preparativos para enfrentar o impacto da Tempestade Tropical Melissa em pelo menos duas províncias das regiões central e leste da ilha, enquanto a tempestade se dirige para a Jamaica | Crédito: Reprodução/AFP

Cuba declarou estado de alerta ciclônico nesta segunda-feira (27), diante da iminente chegada do poderoso furacão Melissa, que se intensificou até atingir a categoria cinco na escala Saffir-Simpson, e deve alcançar o leste da ilha nas próximas horas. Diante da ameaça, o governo iniciou a evacuação preventiva das áreas de maior risco, onde se estima que cerca de 650 mil pessoas serão retiradas nas próximas horas.

O Melissa ganhou força recentemente, com ventos máximos sustentados de 260 quilômetros por hora.

De acordo com informações do Centro de Previsões do Instituto de Meteorologia (Insmet), o furacão avança com “ventos destrutivos, fortes ressacas e inundações catastróficas”. A previsão indica que, nas próximas 12 horas, após passar próximo à Jamaica, ele atingirá o sudeste de Cuba.

Desde a segunda-feira passada (20), o governo cubano faz atualizações constantes sobre a trajetória e a evolução do Melissa, classificado como “extremamente perigoso”, o que levou à ampliação de todas as medidas de segurança no país.

A chegada do Melissa ocorre em meio a uma grave crise elétrica, marcada por longos apagões. Espera-se que o furacão agrave ainda mais o já debilitado sistema de energia do país. Além disso, sua passagem coincide com uma crescente crise epidemiológica, caracterizada pelo aumento dos casos de dengue e pela rápida disseminação do vírus chikungunya — uma situação preocupante que pode se agravar com as inundações provocadas pela tempestade.

Nesse contexto, a empresa estatal União Elétrica informou que, nas próximas horas, a energia disponível será priorizada para a região leste do país, a fim de garantir uma melhor preparação da população diante do evento meteorológico.

A ilha caribenha ativou seus protocolos de defesa civil, seguindo o lema governamental de proteger a população. Para isso, atividades de trabalho não essenciais e as aulas foram suspensas nas províncias que estão na rota prevista do furacão.

Estima-se que aproximadamente 7% da população cubana precise ser protegida do impacto do Melissa. As maiores evacuações preventivas concentram-se na província de Santiago de Cuba, onde as autoridades planejam abrigar mais de 258 mil pessoas. Já em províncias como Guantánamo, cerca de 30% dos habitantes estão sendo evacuados.

Solidariedade e mobilização social

As Forças Armadas Revolucionárias (FAR) estão formando brigadas de apoio comunitário nos diversos territórios do leste do país. Essas equipes atuarão na evacuação da população em situações de emergência e no resgate de pessoas que possam ficar presas por enchentes, inundações ou desabamentos.

Da mesma forma, organizações como a União dos Jovens Comunistas (UJC), a Federação das Mulheres Cubanas e a Central dos Trabalhadores de Cuba iniciaram campanhas de arrecadação de doações — incluindo produtos de limpeza, roupas e colchões — para distribuir às famílias mais afetadas.

“Desde que a trajetória do Melissa foi conhecida, universidades e centros de estudo começaram a ser preparados para funcionar como abrigos temporários”, disse ao Brasil de Fato Mirthia Brossard Oris, integrante da direção nacional da UJC.

“Em todo o país, os jovens estão organizando trabalhos voluntários e arrecadando doações para os mais afetados. Já estamos em ação; não podemos esperar o furacão passar para agir”, acrescentou.

Ela também ressaltou a importância de levar atividades culturais e artísticas a esses espaços. “Sabemos que é preciso proteger o corpo, mas também cuidar da alma. Pintamos, cantamos, fazemos teatro de bonecos com as crianças, lemos poesia. A arte também é um abrigo”.

Mirthia antecipou que o trabalho continuará na fase de recuperação. “Os momentos mais difíceis são os que vêm depois da passagem dos furacões. Quando a Defesa Civil disser que é hora de reconstruir, nós estaremos lá. Os jovens estarão prontos para limpar, higienizar e reconstruir. E, claro, também para voltar com a arte, porque reconstruir é também voltar a sonhar.”

Como consequência das mudanças climáticas, a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos têm aumentado. Na região do Caribe, isso resultou em um aumento na quantidade e na intensidade dos furacões que atingem a área.

Apenas em outubro do ano passado, Cuba foi impactada por dois furacões, Oscar e Rafael, que causaram sérios danos. Mais de 46.000 casas foram afetadas, com desabamentos totais ou parciais, e cerca de 37.000 hectares de produção agrícola foram destruídos.

Editado por: Nathallia Fonseca

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