Movimentos populares, sindicatos, trabalhadores e trabalhadoras de Minas Gerais seguem intensificando a agenda de mobilizações em defesa da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), após a aprovação em primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 23/24, que abre caminho para sua privatização.
Nesta segunda-feira (27), entidades sindicais e movimentos populares convocam a sociedade para uma plenária, na sede da CUT Minas, a partir das 18h, para organizar a luta e estabelecer um calendário de mobilizações.
Na terça-feira (28), as manifestações continuam em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a partir de 8h. Às 9h, uma Comissão Especial da ALMG volta a discutir a chamada PEC do Cala a Boca, que busca retirar a necessidade de um referendo para privatizar empresas públicas mineiras. Uma vez votado nessa comissão, o texto fica pronto para voltar ao plenário, para sua votação definitiva em 2º turno.
Diante desse cenário, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Água e Esgoto de Minas Gerais (Sindágua) reforça a necessidade de que a população continue suas manifestações.
“O governador Romeu Zema, junto com seu vice Matheus Simões, está querendo entregar a Copasa, a melhor empresa de saneamento do mundo em termos de sustentabilidade, ao capital privado. 52 deputados votaram para silenciar o povo. Estamos fazendo uma campanha de publicidade nas redes sociais muito intensa, porque a gente sabe que os deputados estaduais precisam de cabos eleitorais para serem reeleitos no ano que vem”, reforçou o presidente do sindicato, Eduardo Pereira, durante mobilização na manhã desta segunda-feira (27).
Votação pode ser revertida
A luta, encampada pelo Sindágua, em parceria com outros sindicatos, como Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG) e Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente de Minas Gerais (Sindsema/MG), além de organizações como Movimento Brasil Popular (MBP), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Levante Popular da Juventude, começou cedo.
Os gritos de ordem: “sem referendo, sem democracia”, “Zema, ladrão, a Copasa é do povão”, “a Copasa é nossa, não vamos desistir, porque água da privada não dá pra engolir” deram o tom de um escracho em frente ao Hotel Ouro Minas, na região nordeste de BH, onde o vice-governador Mateus Simões se filiava ao PSD para concorrer ao governo do estado.
Faixas ao longo de ruas e avenidas da capital mineira também reforçaram a mensagem. A frase “atacar o referendo é atacar o povo mineiro”, colorida de azul, foi pendurada em passarelas e chamou a atenção de quem transitava pela cidade.
No domingo, durante a Feira Hippie, em frente ao Parque Municipal, uma panfletagem realizada pelos manifestantes também obteve um resultado claro: a população desconhece que a água de Minas pode ser privatizada, como relatou Eduardo Pereira, durante o evento.
“Conseguimos dialogar com a sociedade, fomos muito bem recebidos. A população não estava sabendo o que é a PEC 24, o que é a PEC do Referendo, o que que é a PEC do Cala Boca. Conseguimos então constranger alguns deputados e informamos: se o deputado não mudar o voto no segundo turno, é o povo que vai mudar o deputado”, afirmou.
Nas redes sociais, o Sindágua também publicou uma série de vídeos, em que dá nome aos deputados estaduais que votaram a favor da retirada do referendo, incentivando a população a cobrar os parlamentares individualmente. Para passar em 2º turno, a PEC precisa de, no mínimo, 48 votos favoráveis. Como passou em 1º turno com 52 a favor e 18 contra, o Sindicato acredita que a mudança é possível com a força da mobilização popular.
O que está em jogo?
O texto aprovado permite que a venda ou federalização da estatal ocorra sem consulta à população, inclusive para o cumprimento de obrigações ligadas à dívida pública ou a programas como o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), que prevê contrapartidas em áreas como educação e infraestrutura.
Se a medida for aprovada em segundo turno, outras empresas públicas, além da Copasa, também ficam mais suscetíveis à privatização, entre elas a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Gasmig.
A Copasa é responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto em mais da metade dos municípios mineiros e figura entre as empresas mais lucrativas do estado. Segundo especialistas, a aprovação da PEC é um passo decisivo para o projeto de privatização defendido pelo governo Zema desde 2024, sob o discurso de “modernizar” e “equilibrar as contas públicas”.da ALMG
