Eleição legislativa

Resultado de Milei na Argentina representa ‘vitória dos EUA sobre América Latina’, diz professor

Para Gilberto Maringoni, eleição amplia poder do presidente argentino e aprofunda agenda neoliberal no país

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Presidente Javier Milei comemora vitória legislativa com apoiadores em Buenos Aires, neste domingo (26)
Presidente Javier Milei comemora vitória legislativa com apoiadores em Buenos Aires, neste domingo (26) | Crédito: Luis Robayo/AFP

A vitória do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas argentinas “é algo realmente surpreendente” e representa “a vitória dos Estados Unidos sobre a América Latina”, avalia o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), Gilberto Maringoni. Segundo ele, o resultado desde domingo (26), que ampliou de 35 para 101 as cadeiras do partido La Libertad Avanza na Câmara, contou com o apoio direto do presidente Donald Trump e sinaliza o fortalecimento de uma ofensiva reacionária dos EUA na região.

Durante um encontro com o presidente argentino na Casa Branca, no último dia 14, Trump afirmou que “se ele [Milei] perder as eleições, não seremos generosos com a Argentina”. Enquanto isso, o governo estadunidense autorizou a CIA a realizar ações secretas na Venezuela, aumentando a retórica bélica contra o país sul-americano. Além disso, cortou qualquer forma de “subsídio” à Colômbia após acusar o presidente Gustavo Petro de ser um “líder narcotraficante”. Neste mês, os EUA também atacaram uma embarcação, matando três supostos rebeldes de um grupo guerrilheiro colombiano.

“Muita gente está dizendo na Argentina que essa foi uma vitória do Donald Trump, que pessoalmente se empenhou em sustentar o seu aliado principal aqui na América do Sul”, afirmou Maringoni em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “No discurso de vitória, Milei dedicou o resultado ao Trump e disse: ‘Nunca os Estados Unidos nos brindaram com apoio de semelhante calibre’. É a vitória dos Estados Unidos, a preponderância da Casa Branca sobre a América Latina”, indicou.

O professor destaca que, apesar da crise provocada pelos cortes em saúde, educação e obras públicas, Milei conseguiu transformar a eleição parlamentar em um plebiscito sobre o seu governo. “Ele resolveu apostar pesado e colocá-las [as eleições] como um plebiscito sobre o seu mandato”, explicou. “A situação estava muito difícil na Argentina, com queda da qualidade de vida, aumento da miséria e repressão violenta a protestos”, explicou.

De acordo com Maringoni, a guinada nas urnas ocorreu em apenas 50 dias, impulsionada por fatores externos. “Nos últimos 20 dias, o Banco Central injetou US$ 3 bilhões para sustentar o peso, e o Tesouro Americano colocou mais US$ 2 bilhões. Essa segurada momentânea, mais o marketing do encontro com Trump, fizeram com que o eleitorado optasse pelo Milei”, analisou.

Com maioria no Congresso, o presidente argentino deve ter margem para aprofundar o modelo neoliberal, avalia o professor. “Agora, Milei tem as mãos livres, tem voto para fazer o que quiser. Ele vai poder retomar cortes que o Congresso havia bloqueado, como os de universidades e da saúde infantil”, alertou. “A ofensiva reacionária americana tem que ser vista com muito cuidado, com muita cautela”, acrescentou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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