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Megaoperação leva ‘cenário de guerra’ aos Complexos da Penha e do Alemão no Rio

Lideranças do Comando Vermelho são alvo de mandados de prisão; cerca de 200 mil moradores são impactados

Ação conjunta das polícias segue em andamento com intenso tiroteios nesta manhã | Crédito: Reprodução/TV Globo

O governo do Rio de Janeiro deflagrou uma megaoperação policial nesta terça-feira (28) contra a expansão territorial do Comando Vermelho. A ação mobiliza 2.500 policiais civis e militares nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona Norte da cidade, para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. 

Até o início da tarde desta terça-feira, havia a confirmação de 60 mortes, das quais 18 seriam de suspeitos em confronto, e dois policiais civis. Outros nove agentes militares foram baleados. Além deles, três moradores ficaram feridos: dois homens, um em situação de rua atingido nas costas, e uma mulher que estava na academia. A operação continua em andamento, até agora, 81 pessoas foram presas.

A operação tem impacto nos serviços públicos: 17 escolas municipais na Penha e 28 do Alemão suspenderam as aulas; 12 linhas de ônibus desviaram os itinerários; cinco unidades de atenção primária à saúde ainda não abriram; e uma clínica da família cancelou as visitas domiciliares agendadas. 

Cenário de guerra

Desde o início da manhã, há uma intensa troca de tiros nas comunidades, barricadas em chamas e, segundo o governo, drones armados com bombas foram usados para impedir a entrada dos policiais. Os dois complexos, da Penha e do Alemão, abrigam 26 favelas onde moram cerca de 200 mil pessoas.

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa (Alerj) acompanha o andamento da megaoperação. A deputada estadual Dani Monteiro (Psol) afirmou que, mais uma vez, a ação policial “transforma as favelas do Rio em cenário de guerra”.   

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Para a presidente da Comissão, o governo do Rio faz uso midiático das operações. “Enquanto o governo investe em fuzis e blindados para fazer espetáculo, o povo das favelas segue sem direitos básicos. O impacto é gigantesco na vida dessas pessoas, desde o emocional ao financeiro. Segurança pública se constrói com dignidade, não com munição. O Estado precisa levar a sério a vida do favelado”, afirma Monteiro.

‘Operação Contenção’

Em nota à imprensa, o governo estadual afirma que a operação foi deflagrada após mais de um ano de investigação conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). E também com a participação do Ministério Público Estadual.

A ação conta com forte aparato, incluindo drones, dois helicópteros, 32 blindados terrestres e 12 veículos de demolição do Núcleo de Apoio às Operações Especiais da PM, além de ambulâncias.

Segundo portal G1, policiais buscam cumprir 100 mandados de prisão e 150 busca e apreensão contra lideranças do Comando Vermelho do Rio e de outros estados que estariam se abrigando nos Complexos da Penha e do Alemão.

*Reportagem atualizada às 15h

Editado por: Clivia Mesquita

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