Sanções

Assembleia Geral da ONU vota nesta quarta-feira sobre fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

Esta é a 34ª votação histórica pelo fim do bloqueio. Cuba denuncia pressão de Trump.

No audio source provided.
Um homem passa diante de uma bandeira do Movimento 26 de Julho pintada em um prédio em homenagem ao 72.º aniversário do ataque aos Quartéis Moncada em 1953, na província de Ciego de Ávila, Cuba, em 23 de julho de 2025. | Crédito: Foto de YAMIL LAGE / AFP

O debate sobre o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba segue até esta quarta-feira (29). Está previsa para hoje a votação do projeto de resolução intitulado “A necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”.

Esta é a trigésima quarta vez que esta resolução é submetida à consideração, a qual exige o fim da política de hostilidade que os Estados Unidos — a principal potência militar do mundo — mantém contra Cuba há mais de seis décadas. Segundo dados apresentados à ONU, somente no período entre março de 2024 e fevereiro de 2025, o bloqueio provocou perdas estimadas em 7,5 bilhões de dólares a Cuba.

Em nome dos 131 Estados-membros do Movimento dos Países Não Alinhados (MNOAL), a representação de Uganda usou a palavra durante a Assembleia Geral na terça-feira (28). Em sua intervenção, afirmou que “o MNOAL reitera, mais uma vez, sua mais firme oposição à promulgação e imposição de medidas coercitivas unilaterais”.

“O MNOAL tem destacado reiteradamente seu apelo ao governo dos Estados Unidos para que ponha fim ao ilegal embargo econômico, comercial e financeiro mantido contra Cuba há mais de 60 anos”, acrescentou. Da mesma forma, ressaltou que “este embargo viola tanto o Direito Internacional quanto a própria Carta das Nações Unidas”.

Por sua vez, em representação dos Estados-membros do Grupo dos G77+China, a delegação do Iraque exigiu que Cuba seja retirada da lista de “países patrocinadores do terrorismo” — que é elaborada unilateralmente pelos Estados Unidos — e afirmou que “Cuba é um parceiro ativo e solidário de longa data dos membros do grupo, que promove a cooperação Sul-Sul”.

“Graças aos esforços de Cuba, muitos países do grupo desenvolveram seu potencial científico e técnico. Tudo o que conhecemos de Cuba é amizade e solidariedade, e não sabemos nada sobre terrorismo”, assegurou.

O Grupo de Amigos da Carta das Nações Unidas classificou o bloqueio contra Cuba como “injusto e abusivo” e afirmou que se trata de “uma das violações mais graves, prolongadas e sistemáticas do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”.

Acrescentou que o bloqueio “não apenas contradiz os propósitos e princípios da Organização, mas também contradiz as normas internacionais e é uma violação dos direitos humanos. O bloqueio é um tipo de castigo coletivo contra o povo cubano”.

Em nome da Comunidade do Caribe (Caricom), o representante de Barbados lembrou que Cuba formou milhares de médicos, professores e engenheiros de outras nações insulares do Caribe.

Acrescentou que, “quando começou a pandemia de COVID-19, Cuba foi uma das primeiras a responder e enviou brigadas médicas a vários de nossos Estados-membros”. Da mesma forma, destacou: “Os profissionais de saúde cubanos continuam realizando contribuições valiosas para melhorar o acesso aos serviços de saúde em toda nossa região”.

Desde 1992, de maneira ininterrupta, a Assembleia tem aprovado a resolução anualmente por ampla maioria, com a única exceção dos Estados Unidos e do Estado de Israel, que invariavelmente votam contra.

Este ano, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, denunciou que o debate ocorre em um contexto no qual o atual governo Trump lançou uma intensa campanha de intimidação para impedir que outros países votem a favor de Cuba. Durante as últimas semanas, Washington enviou cartas a chancelarias de diversos países — e até mesmo enviou delegações a várias nações — da Europa e América Latina, ameaçando com possíveis represálias caso votem a favor da ilha.

Editado por: Nathallia Fonseca

|

Newsletter