O debate sobre o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba segue até esta quarta-feira (29). Está previsa para hoje a votação do projeto de resolução intitulado “A necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”.
Esta é a trigésima quarta vez que esta resolução é submetida à consideração, a qual exige o fim da política de hostilidade que os Estados Unidos — a principal potência militar do mundo — mantém contra Cuba há mais de seis décadas. Segundo dados apresentados à ONU, somente no período entre março de 2024 e fevereiro de 2025, o bloqueio provocou perdas estimadas em 7,5 bilhões de dólares a Cuba.
Em nome dos 131 Estados-membros do Movimento dos Países Não Alinhados (MNOAL), a representação de Uganda usou a palavra durante a Assembleia Geral na terça-feira (28). Em sua intervenção, afirmou que “o MNOAL reitera, mais uma vez, sua mais firme oposição à promulgação e imposição de medidas coercitivas unilaterais”.
“O MNOAL tem destacado reiteradamente seu apelo ao governo dos Estados Unidos para que ponha fim ao ilegal embargo econômico, comercial e financeiro mantido contra Cuba há mais de 60 anos”, acrescentou. Da mesma forma, ressaltou que “este embargo viola tanto o Direito Internacional quanto a própria Carta das Nações Unidas”.
Por sua vez, em representação dos Estados-membros do Grupo dos G77+China, a delegação do Iraque exigiu que Cuba seja retirada da lista de “países patrocinadores do terrorismo” — que é elaborada unilateralmente pelos Estados Unidos — e afirmou que “Cuba é um parceiro ativo e solidário de longa data dos membros do grupo, que promove a cooperação Sul-Sul”.
“Graças aos esforços de Cuba, muitos países do grupo desenvolveram seu potencial científico e técnico. Tudo o que conhecemos de Cuba é amizade e solidariedade, e não sabemos nada sobre terrorismo”, assegurou.
O Grupo de Amigos da Carta das Nações Unidas classificou o bloqueio contra Cuba como “injusto e abusivo” e afirmou que se trata de “uma das violações mais graves, prolongadas e sistemáticas do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”.
Acrescentou que o bloqueio “não apenas contradiz os propósitos e princípios da Organização, mas também contradiz as normas internacionais e é uma violação dos direitos humanos. O bloqueio é um tipo de castigo coletivo contra o povo cubano”.
Em nome da Comunidade do Caribe (Caricom), o representante de Barbados lembrou que Cuba formou milhares de médicos, professores e engenheiros de outras nações insulares do Caribe.
Acrescentou que, “quando começou a pandemia de COVID-19, Cuba foi uma das primeiras a responder e enviou brigadas médicas a vários de nossos Estados-membros”. Da mesma forma, destacou: “Os profissionais de saúde cubanos continuam realizando contribuições valiosas para melhorar o acesso aos serviços de saúde em toda nossa região”.
Desde 1992, de maneira ininterrupta, a Assembleia tem aprovado a resolução anualmente por ampla maioria, com a única exceção dos Estados Unidos e do Estado de Israel, que invariavelmente votam contra.
Este ano, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, denunciou que o debate ocorre em um contexto no qual o atual governo Trump lançou uma intensa campanha de intimidação para impedir que outros países votem a favor de Cuba. Durante as últimas semanas, Washington enviou cartas a chancelarias de diversos países — e até mesmo enviou delegações a várias nações — da Europa e América Latina, ameaçando com possíveis represálias caso votem a favor da ilha.
