Tempestade

Furacão Melissa chega em Cuba, deixa rastro de destruição e causa mortes em países do Caribe

Danos ainda são incalculáveis; mais de 700 mil pessoas foram evacuadas

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Vista de parte da cidade de Santiago de Cuba após a passagem do furacão Melissa em 29 de outubro de 2025 | Crédito: Luis Alejandro Pirez / AFP

O furacão Melissa tocou o solo no leste de Cuba na manhã desta quarta-feira (29), com ventos de até 195 km/h, após perder força e ser rebaixado para a categoria três. Antes de atingir a ilha cubana, Melissa passou pela Jamaica com ventos de 295 km/h, causando fortes chuvas e danos generalizados. O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês) classificou a tempestade como “extremamente perigosa”, alertando para o impacto devastador em Cuba e nas Bahamas, que serão os próximos alvos.

Embora tenha perdido força, a tempestade ainda continua a gerar riscos significativos, com ventos a 185 km/h na manhã de hoje, a 95 quilômetros a oeste de Guantánamo. Segundo o correspondente do Brasil de Fato Gabriel Vera Lopes, em Havana, os danos ainda são incalculáveis e se agravam devido ao déficit energético enfrentado pelo país. “O povo está se mobilizando, recolhendo doações e ajuda, mas a situação é muito complexa. É um contexto de muitas crises na ilha e a destruição que provoca um furacão torna a reconstrução extremamente difícil.”

Evacuação em massa e mortes confirmadas

Até o momento, o furacão provocou a morte de dez pessoas em países do Caribe: três na Jamaica, três no Haiti, três no Panamá e uma na República Dominicana. Na Jamaica, o furacão foi o mais potente a afetar a ilha desde o início dos registros meteorológicos e a região foi declarada “zona de desastre”. 

Desde o final de semana, em Cuba, as autoridades informaram que cerca de 735 mil pessoas foram evacuadas, principalmente das províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantánamo. Na cidade de El Cobre, em Santiago de Cuba, equipes de resgate da Proteção Civil tentam localizar e resgatar 17 pessoas que ficaram isoladas devido a um deslizamento de terra e a cheia de um rio, segundo a AFP.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou nas redes sociais que a população deve se preparar para uma “noite muito difícil” enquanto o furacão passava, mas se mostrou confiante na recuperação do país. O presidente cubano pediu para a população permanecer em seus abrigos.

Sistema elétrico e protocolo de evacuação

Em preparação para o impacto de Melissa, a empresa estatal de eletricidade de Cuba desligou o Sistema Elétrico Nacional em várias províncias, incluindo Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo. De acordo com a AFP, os protocolos de segurança continuam em operação, com grupos de trabalho realizando visitas porta a porta nas áreas mais vulneráveis.

Uma família resgata pertences dos escombros de sua casa após o desabamento causado pelo furacão Melissa em Santiago de Cuba, Cuba, em 29 de outubro de 2025. Foto: Luis Alejandro Pirez / AFP

Uma família resgata pertences dos escombros de sua casa após o desabamento causado pelo furacão Melissa em Santiago de Cuba, Cuba, em 29 de outubro de 2025. – Luis Alejandro Pirez / AFP

Além disso, as autoridades cubanas destacam a mobilização de equipes de resgate para minimizar os danos e proteger a população, em um esforço conjunto com organizações internacionais. 

Assistência internacional e solidariedade

O impacto de Melissa também gerou uma resposta rápida da comunidade internacional. A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou o envio de cerca de 2.000 kits de emergência para a Jamaica, enquanto o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) enviou recursos essenciais para a recuperação de Cuba, incluindo geradores elétricos, lonas para telhados, colchões e kits de ferramentas.

O PNUD  destacou que as doações visam apoiar os esforços de recuperação rápida e aliviar o sofrimento das famílias afetadas pelas fortes chuvas e ventos do furacão.

Mudanças climáticas e bloqueio econômico

Lopes aponta ainda que os pequenos países do Caribe sofrem as consequências das mudanças climáticas mais que ninguém, apesar de não serem os principais causadores das mudanças climáticas. “Mas a ironia é que os países insulares, pequenos países do Caribe, têm que pagar dívida com os países do Norte que são os que causam estas mudanças climáticas cada vez que tem um furacão e destrói tudo nesses países”, questionou o correspondente do Brasil de Fato. 

Por fim, o repórter destaca que o bloqueio econômico imposto em Cuba pelos Estados Unidos (EUA) afeta negativamente a capacidade do país em construir políticas públicas de enfrentamento às mudanças climáticas. As sanções financeiras e comerciais complicam a importação de equipamentos e insumos essenciais para projetos ambientais. “Cuba é impedida de fazer o uso dos seus próprios recursos por causa do bloqueio. A ilha tem uma enorme capacidade para salvar vidas, mas o bloqueio afeta negativamente essas políticas públicas.”

O bloqueio faz com que Cuba tenha que gastar muito mais dinheiro do que os países sem bloqueio precisam para importar, explica o correspondente. “Importar medicamentos, alimentos ou energia, tão necessária para a reconstrução, é muito complexo e caro para Cuba e isso se deve ao bloqueio.”

Editado por: Nathallia Fonseca

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