Retrocesso

‘Extrema direita em Portugal tenta reverter conquistas de Abril’, denuncia dirigente comunista

Para Manuel Rodrigues, crescimento do Chega e endurecimento contra imigrantes revelam ofensiva do grande capital

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Para Manuel Rodrigues, ofensiva da direita ameaça direitos conquistados após a Revolução dos Cravos
Para Manuel Rodrigues, ofensiva da direita ameaça direitos conquistados após a Revolução dos Cravos | Crédito: Pedro Nunes/ Citizenside

O dirigente do Partido Comunista Português (PCP) Manuel Rodrigues afirmou que Portugal vive uma conjuntura política marcada pela ofensiva da direita e da extrema direita, o que coloca em risco as conquistas de Abril, ou seja, os direitos conquistados após a Revolução dos Cravos, em 1974. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele apontou que “está criado um quadro político e institucional favorável à intensificação de uma política de direita e à concretização de uma agenda própria dos grupos económicos, do grande capital”.

Segundo Rodrigues, o novo governo, formado pelos Partido Social Democrata (PSD) e Centro Democrático Social (CDS) com apoio do Chega e da Iniciativa Liberal, aprofunda políticas de exploração e desigualdade social. “Tem o terreno facilitado no sentido de levar para a frente aquilo que são os seus grandes objetivos: aprofundar a exploração, agravar as injustiças, comprimir os direitos, atacar os direitos dos trabalhadores e do povo”, criticou.

O comunista também denunciou o desmonte de serviços públicos e a dependência política em relação à União Europeia. “Assistimos a ataques ao Serviço Nacional de Saúde, à escola pública e ao acesso à habitação, com dificuldades grandes enfrentadas pelos jovens. Essa política tem o apoio da União Europeia, caracterizada pela submissão às suas imposições e pelo abandono de valores como soberania e independência nacional”, afirmou.

Para ele, o atual orçamento de Estado, aprovado com abstenção do Partido Socialista (PS), “é um orçamento de agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo”. Apesar de o PCP contar com apenas três deputados, Rodrigues defendeu que o partido “tem se batido na Assembleia da República em defesa dos direitos dos trabalhadores, do fortalecimento da economia nacional e dos valores de Abril”.

Xenofobia e perseguição a imigrantes

O dirigente relacionou o avanço da extrema direita ao aumento da xenofobia e da perseguição a imigrantes, especialmente brasileiros. “Há uma interação clara entre os objetivos da política de direita e o aprofundamento da extrema direita”, avaliou. Segundo ele, esses partidos “servem-se de bodes expiatórios, como é o caso da imigração, para desviar as atenções das causas fundamentais dos problemas”.

Rodrigues denunciou ainda que o Chega e a Iniciativa Liberal “instigam um clima de ódio e exclusão social”, mas destacou que “os imigrantes são bem acolhidos pelo povo português”. “A luta dos trabalhadores e do povo português é pelo acolhimento aos imigrantes e contra esses ventos de extrema direita, que são xenófobos por natureza e instigam o ódio”, completou.

Militarização e crise capitalista

Na entrevista, Manuel Rodrigues também criticou o rearmamento da Europa e a ampliação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia. “Nós, do Partido Comunista Português, somos pela paz, pelo progresso social e pela cooperação entre os povos. O caminho dos armamentos traduz a crise estrutural do capitalismo e as suas contradições”, declarou.

O dirigente defendeu “a dissolução da Anato [sigla da Otan em Portugal] como instrumento militar agressivo do imperialismo” e condenou a tendência à militarização da União Europeia. “A União Europeia é um processo de integração capitalista dos grandes monopólios, não dos trabalhadores e dos povos”, afirmou.

Para Rodrigues, “os conflitos devem ser resolvidos pela via da negociação e da construção política de soluções”, com base na Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e nos princípios da Conferência de Helsinque, acordos internacionais que defendem a paz, a soberania dos Estados e a resolução diplomática de disputas.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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