Negociações

Cúpula de Líderes da COP30 terá 143 delegações; EUA e Argentina não participarão

Comparecerão 57 chefes de Estado e 39 ministros na reunião que antecede as negociações sobre o clima

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, apostam no Fundo de Florestas Tropicais para Sempre como uma das principais iniciativas do Brasil na COP30 | Crédito: Rogério Cassimiro/ MMA

O Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, Maurício Lyrio, confirmou nesta sexta-feira (31) que os governos dos Estados Unidos e da Argentina não confirmaram presença na Cúpula de Líderes da COP30 – Conferência das Nações Unidas para o Clima – que será realizada na próxima semana, entre quinta (6) e sexta-feira (7), em Belém (PA). 

A reunião antecede a Conferência do Clima, que começa no dia 10 de novembro e vai até o dia 21. Segundo o diplomata, 143 delegações confirmaram presença. Cinquenta e sete chefes de Estado ou governo, 39 ministros e uma série de organizações internacionais estão na lista. Já para a conferência propriamente dita, segundo o Itamaraty, mais de 170 delegações estão credenciadas para participar dos debates. 

A ausência dos dois países já era esperada. Em janeiro, o presidente Donald Trump havia anunciado dos Estados Unidos a saída do Acordo de Paris, pacto internacional para diminuir as emissões. No ano anterior, na COP29, a Argentina, comandada pelo presidente argentino, Javier Milei, abandonou as negociações.

Mesmo com a ausência dos Estados Unidos, um dos maiores emissores de carbono do mundo, Lyrio ressaltou a alta representatividade do evento. “Teremos uma presença muito significativa de líderes e, sobretudo, com essa confirmação em torno de 143 delegações, o fato de que a cúpula será muito representativa da comunidade internacional”, declarou o embaixador durante coletiva de imprensa na manhã desta sexta, em Brasília, com a presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, e a secretária-executiva da conferência, Ana Toni. 

Lyrio informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá diversas reuniões bilaterais durante a reunião, sem detalhar os países. A Cúpula de Líderes começa na manhã do dia 6 com uma plenária que será aberta pelo presidente brasileiro, seguida de discursos dos representantes internacionais. 

A ministra do Meio Ambiente e Combate à Mudança no Clima (MMA), Marina Silva, por sua vez, afirmou que a Cúpula de Líderes será importante para estabelecer os parâmetros e limites de cada país para as negociações que acontecerão durante os dias da conferência. 

“Que os chefes de estado deem o termo de referência para os negociadores, para os seus representantes. E obviamente que o termo de referência não tem como ser outro senão de uma agenda que vai tratar de temas mandatados, como é o caso de adaptação”, destacou a ministra. 

“Nós temos temas que são altamente relevantes, que serão discutidos pelos chefes de Estado, em relação à transição energética, às NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas, na sigla em inglês) e financiamento, tendo um olhar para a natureza, associado ao clima, entendendo que florestas são essenciais nesse equilíbrio climático e entendendo que oceanos também são fundamentais no equilíbrio climático”, afirmou Silva.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre – TFFF

Ainda na quinta, o presidente vai oferecer um almoço, onde se dialogará, especificamente, sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma das principais iniciativas da presidência brasileira à frente COP30, como destacou o embaixador André Corrêa do Lago. 

“O TFFF nasceu no MMA [Ministério do Meio Ambiente], numa visão do país que possui uma floresta, que mais entende da floresta. Eu acho que isso é uma contribuição extraordinária, porque não é mais um fundo, é um fundo que foi pensado exatamente para as circunstâncias das florestas tropicais e dá uma lógica de valor à conservação da floresta, que é uma coisa que nós não tínhamos”, afirmou o diplomata. 

Coletiva de imprensa sobre a COP30, nesta sexta-feira (31), no Instituto Rio Branco, em Brasília. Foto: Rogério Cassimiro/ MMA | Crédito: Rogério Cassimiro/ MMA

O TFFF será operacionalizado pelo Banco Mundial, mas gerido por um comitê gestor, aos moldes do que ocorre com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que é o operador do Fundo Amazônia, mas define as políticas e critérios para o acesso aos recursos. 

Entre os dois dias de cúpula, serão realizadas três sessões temáticas que vão discutir a questão das florestas e oceanos, a transição energética e, finalmente, os dez anos do Acordo de Paris e o balanço de sua implementação. 

Ministra destaca resultados

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, relacionou uma série de bons resultados em relação ao objetivo estratégico definido pelo governo de federal de zerar o desmatamento no país até 2030.

“Mais uma vez caminhamos nessa direção, que foi a redução de 11,8% do desmatamento na Amazônia, comparando com 2024 e de 11% também no Cerrado, em relação ao mesmo período. Quando vamos para o acumulado comparativo a 2022, houve uma redução de 50% do desmatamento”, disse a ministra, acrescentando que os dados relacionados a incêndios indicam que a redução de 2024 e 2025 acima de 50%. “Isso evitou lançar na atmosfera mais de 700 milhões de toneladas de CO₂, ou seja, uma contribuição altamente significativa no contexto da COP 30”, completou.

Foz do Amazonas

Questionada pelo Brasil de Fato sobre a forte reação das organizações socioambientais diante da autorização concedida à Petrobras pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) para estudos de prospecção de petróleo na foz do Rio Amazonas, a ministra afirmou que a decisão do Ibama teve caráter “técnico” e disse que a preocupação da sociedade é “legítima”. 

“Uma licença técnica dada pelo Ibama quando ele compreendeu que todos os questionamentos que tinham sido feitos estavam parcialmente atendidos. E eu digo parcialmente atendidos porque é uma licença com condicionantes, e as condicionantes fazem parte do decorrer do processo. Há uma preocupação da sociedade que é legítima e que também é uma preocupação, não tenha dúvida, do governo em relação à governança eh da Foz do Amazonas”, respondeu a ministra. 

“É uma bacia que não é conhecida, diferentemente de outras bacias e que precisará de estudos robustos, porque agora é a prospecção para verificar se tem petróleo, a quantidade do petróleo, a qualidade do petróleo”, agregou Marina, explicando que qualquer operação de extração de petróleo na região dependerá de outras licenças dos órgãos ambientais.  

Por outro lado, a ministra destacou as vantagens do Brasil em relação à produção de energia limpa, no entanto, disse que elas “ainda não são suficientes”, o que demandaria planejamento para o fim da utilização de combustíveis fósseis. 

“Se nós olhamos o que o Brasil tem em relação a outros países, temos vantagens comparativas. [Mas] é que elas não são suficientes. E por isso que o presidente Lula tem dito que nós temos que fazer, sim, o nosso planejamento para a transição, para sair da dependência de combustível fóssil”, declarou a ministra. “E ontem ele [Lula] disse, inclusive, que empresas como a Petrobras devem deixar de ser empresas de exploração de petróleo para ser empresas de energia, de geração, produção de energia, investindo cada vez mais, obviamente, em energias limpas”, completou.

Editado por: Luís Indriunas

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