Plano de morte

Deputada do Rio de Janeiro diz que chacina é ‘projeto político’ às vésperas da eleição

Renata Silveira (Psol) afirmou que vai pedir o impeachment do governador Cláudio Castro e elogiou o ato dos moradores

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Deputada Renata Souza pediu investigação mais apurada sobre mortes, inclusive de policial que recebeu tiro na nuca

A deputada estadual Renata Souza (Psol) afirmou nesta sexta-feira (31) que a chacina que vitimou 121 pessoas no Rio de Janeiro foi um projeto político do governador Cláudio Castro (PL), mirando as eleições de 2026. De acordo com ela, o mesmo tipo de operação foi realizada no Jacarezinho em 2021, um ano antes do pleito que levou à reeleição do chefe do Executivo.

Essa ação foi um projeto. Esse apoio da população ele teve também na época da chacina do Jacarezinho às vésperas da eleição. Ele repete uma estratégia eleitoral e política. Está na cartilha da extrema direita cometer chacinas apontando para as  eleições não só locais, mas nacionais. Tanto é que a cúpula da policia não tem vergonha em dizer que são candidatos”, afirmou em entrevista ao Conexão BdF 2ª Edição da Rádio Brasil de Fato

Na ocasião, o governador tinha acabado de assumir o mandato deixado por Wilson Witzel, que teve o mandato cassado por um processo de impeachment que investigou o superfaturamento em compra de respiradores e a fraude em licitação em hospitais de campanha durante a pandemia. Cinco dias depois de Castro assumir, a policia fez a operação que deixou 25 mortos. 

Ela também destaca que este “projeto” ficou explícito a partir do momento em que o governador se adiantou para colocar a responsabilidade no governo federal.

A deputada afirmou que a operação não teve “nenhum efeito positivo” para o debate de segurança pública no estado. Para ela, a operação mais letal da história do Brasil só aumentou a sensação de insegurança nas ruas do estado. 

“Ninguém se sente mais seguro depois da morte de 121 pessoas. Pelo contrário, não há uma política de segurança que garanta o direito à vida. Essa é uma demonstração da falência do governo estadual em tratar da segurança pública. É uma lógica de guerra e confronto em detrimento do que poderia ser inteligência e estratégia”, disse.

A manifestação de moradores contra Cláudio Castro foi elogiada pela deputada. De acordo com ela, é preciso ocupar as ruas para dar visibilidade aos familiares das vítimas. 

“Esses moradores ocuparam as ruas com uma indignação e como demonstração da incapacidade de dar visibilidade a eles. Ter um ato grandioso e que trouxe a população do Complexo da Penha e do Alemão para as ruas é fundamental para que as pessoas não achem razoável que o Estado democrático de Direito seja deposto com uma política genocida a partir da política de segurança pública”, afirmou.

A deputada também afirmou que vai pedir o impeachment do governador e a federalização das investigações. Ela também cobrou uma apuração mais rápida sobre as mortes, inclusive do policial Rodrigo Cabral Velloso, que morreu com um tiro na nuca. A deputada entende que essa atitude é muito suspeita e, normalmente, configura uma execução, e não uma morte em confronto. 

Durante a entrevista, ela também reforçou que o Brasil é signatário de tratados internacionais que condenam esse tipo de ação partindo do Estado, como a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes e o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP).

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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