Militares israelenses seguem bombardeando a Faixa de Gaza nesta segunda-feira (3) e o número de palestinos mortos chega a 236 desde que o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos foi anunciado em 10 de outubro. O Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza afirma que o exército israelense cometeu mais de 125 violações do cessar-fogo desde a implementação do atual acordo.
Correspondentes dizem ainda que Israel usa drones quadricópteros para lançar granadas em edifícios parcialmente destruídos no território. Nesta segunda, foram registrados ataques aéreos israelenses em Khan Yunis, no sul de Gaza, a artilharia israelense bombardeou áreas orientais de Deir el-Balah, na região central e navios de guerra israelenses bombardearam a praia do campo de refugiados de Nuseirat.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que “todos vemos que o histórico de Israel neste assunto é muito ruim”.
“Estamos diante de um governo que massacrou mais de 200 pessoas inocentes desde o acordo de cessar-fogo e continua sua ocupação e ataques na Cisjordânia”, afirmou.
“Não podemos permitir a anexação da Cisjordânia, a mudança do status de Jerusalém ou as tentativas de prejudicar a santidade da Mesquita de Al-Aqsa.”
Fins eleitoreiros
À Al Jazeerra, o analista político israelense Akiva Eldar disse que os ataques contínuos a Gaza são, em parte, uma tentativa de prolongar o conflito para adiar as eleições e evitar o escrutínio interno sobre as falhas que levaram à guerra.
“É também uma questão interna, já que declarar o fim da guerra significa também convocar eleições antecipadas em Israel”, disse ele, acrescentando que o fim da guerra também levaria à criação de uma comissão, exigida pela oposição e pelos tribunais, “que investigará os erros que tornaram possíveis os ataques de 7 de outubro”.
Eldar afirmou que o Hamas também tem um incentivo para “protelar” e atrasar a próxima fase do acordo de cessar-fogo, que exigiria o desmantelamento do grupo, já que qualquer tempo adicional lhes permitiria recrutar novos membros.
À Pública, o sociólogo e historiador Michel Gherman disse que Netanyahu parece não dar nenhum passo real em direção à paz.
“Quando ele assina o cessar-fogo, faz o acordo colapsar várias vezes”, diz. “A gente só contou com a morte de milhares de palestinos e de dezenas de reféns israelenses por causa de uma tentativa de manutenção do cargo do Benjamin Netanyahu”, afirma Gherman.
A violência segue também na Cisjordânia. Dois palestinos, incluindo um adolescente, foram mortos em ataques de forças israelenses e colonos na região de Hebron e outros seis palestinos foram capturados por militares israelenses nesta segunda.
