Mais de 200 coletivos assinaram, neste domingo (2), uma carta aberta ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin, manifestando repúdio à tutela que a organização tem pretendido exercer no Haiti e recordando “o direito sagrado da autodeterminação dos povos e de sua soberania”.
A iniciativa nasceu como uma resposta ao Roteiro para Estabilidade e Paz no Haiti, publicada em outubro pela OEA, depois de meses de trabalho em colaboração com a Comunidade do Caribe (Caricom) e a Organização das Nações Unidas (ONU), entre outras organizações. Porém, sem nenhum diálogo com a sociedade civil haitiana.
O documento da OEA pretende criar uma estrutura de governança com um Grupo de Coordenação (MGC), composto pela OEA, pelas Nações Unidas e pela Caricom, além da eventual nomeação de um Representante Especial da OEA para o país. O roteiro também inclui a reorganização das forças de segurança, realização de eleições, entre outros pontos.
Os movimentos apontam que tal agenda não contempla as verdadeiras prioridades do povo e é considerada uma “agenda unilateral” pelos movimentos.
O texto ressalta que o Haiti foi a primeira nação a romper as correntes da escravidão e a primeira república negra do mundo, abrindo “a estrada da liberdade a todos os povos oprimidos da terra”. Segundo os autores, esse é um dos motivos pelo qual o país continua sofrendo repressão e represálias das “antigas potências coloniais, racistas e escravagistas, que se tornaram hoje potências imperialistas”.
Neste sentido, denunciam a grave situação atual como uma “crise fabricada no intuito de enfraquecer sistematicamente o Haiti, de reforçar sua dependência política e econômica”. Para enfrentá-la, a carta defende uma saída haitiana, elaborada sem nenhum tipo de ingerência, pela população do país.
Os autores denunciam ainda o isolamento forçado do Haiti na conjuntura geopolítica atual e, citando dirigentes aliados como Hugo Chávez, Fidel Castro, Luiz Inácio Lula da Silva, Gustavo Petro e Nicolás Maduro, celebram o espírito de solidariedade internacional que levou outros povos, organizações e governos desprovidos de interesses imperialistas a apoiar a luta dos haitianos no respeito da sua soberania.
