A disputa pela Prefeitura de Nova York, uma das mais observadas nas eleições municipais dos Estados Unidos, pode sinalizar mudanças no cenário político do país. A avaliação é de Marcos Sorrilha, professor de História das Américas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
O favorito à eleição é o muçulmano Zohran Mamdani (Democrata), chamado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “comunista”. Entre os projetos defendidos por ele estão taxar bilionários para financiar o transporte público gratuito, ampliar subsídios para alimentação e oferecer creches para todas as crianças até cinco anos.
Para Sorrilha, essas medidas têm relação com um movimento político mais amplo, capaz de ampliar o progressismo nos EUA. “Agora começam a aparecer alguns candidatos que despontam com uma pauta mais progressista: usar a força do Estado para garantir uma mínima condição de vida, acesso a bens de consumo, acesso à saúde”, afirmou.
O professor destacou que a crise de moradia é central no contexto da cidade. “Em Nova Iorque nós temos situações em que as pessoas ganham 50 mil dólares por ano, mas vivem em abrigos públicos, vivem em carros, porque é muito caro o aluguel”, disse. Uma das propostas, o congelamento dos aluguéis, é considerada por ele a “mais controversa e menos exequível”.
Outro elemento que chamou a atenção de Sorrilha é o comportamento eleitoral. “Alguns eleitores do Trump de 2024, que ainda votam no Trump, vão votar no Mamdani porque acham que ele representa essa visão”, observou. A apuração segue até o fim da noite desta terça-feira (4), considerando o horário local (duas horas atrás de Brasília).
Sem apoio do partido, mas com alta mobilização
Mamdani venceu as primárias contra Andrew Cuomo, hoje concorrendo como independente. Apesar do favoritismo, o democrata não conta com o apoio pleno do partido. “O mainstream do partido resolveu não apoiar o Mamdani. Então, uma das questões importantes é saber, após essa vitória, quantos vereadores ele vai conseguir, qual é a base de apoio que ele vai conseguir”, apontou o professor. Ele explica que muitas das propostas dependem de aprovação no Congresso estadual.
No entanto, o pleito surpreendeu pela mobilização popular. “Eram esperados que participassem em torno de 2,1 milhões. Talvez nós tenhamos algo em torno de 2,5 milhões de eleitores participando da eleição”, afirmou. Só os votos antecipados somaram cerca de 800 mil, um recorde.
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