O presidente russo, Vladimir Putin, instruiu o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Defesa e as agências de inteligência a apresentarem propostas sobre a possibilidade de preparação para testes de armas nucleares.
A ordem de Putin aconteceu durante uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia nesta quarta-feira (5), que discutiu as recentes movimentações dos EUA em relação a novos exercícios militares. O Kremlin advertiu que, caso outros países realizem testes nucleares, Moscou será forçada a tomar medidas retaliatórias.
O proposta dos testes nucleares surgiu concretamente quando o Ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, propôs ao presidente Vladimir Putin que a Rússia iniciasse “imediatamente os preparativos para um teste nuclear em grande escala” em resposta às recentes movimentações dos EUA.
Belousov afirmou que a administração de Donald Trump está se retirando sistematicamente dos tratados de redução e limitação de armas e que estão “realizando uma modernização acelerada” de seu arsenal ofensivo estratégico.
“Considerando o exposto, acredito ser aconselhável iniciar imediatamente os preparativos para testes nucleares em grande escala. A prontidão das forças e dos recursos no Campo de Testes Central, no arquipélago de Novaya Zemlya, permite sua implementação em um curto prazo”, disse o ministro.
Putin ordenou preparativos para testes nucleares em resposta a exercícios militares dos EUA, no entanto, ele não concordou diretamente com a proposta de Belousov. Ele instruiu os membros do governo a coletar “informações adicionais” sobre os planos de testes nucleares dos EUA.
Além disso, Putin instruiu vários ministérios a analisar se os EUA estão violando o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares. Segundo o líder russo, se esta informação for confirmada, Moscou, terá que “tomar as medidas cabíveis”.
No início da reunião, o presidente da Duma Estatal (câmara baixa do parlamento russo), Vyacheslav Volodin, disse que os parlamentares estavam preocupados com a recente declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que os Estados Unidos estavam retomando os testes de armas nucleares.
O presidente da Duma Estatal lembrou a declaração do presidente russo de que, se os EUA retomarem os testes de armas nucleares, a Rússia tem todo o direito de fazer o mesmo. “Porque é evidente aonde isso pode levar o mundo”, completou Volodin.
Posteriormente, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, observou que o presidente russo, Vladimir Putin, instruiu os membros do Conselho de Segurança a considerarem a conveniência de testes nucleares, mas não de iniciarem preparativos imediatos para eles.
“Quero enfatizar que o presidente não deu instruções para iniciar os preparativos para os testes”, afirmou o porta-voz. “O presidente instruiu que se considerasse a conveniência de iniciar os preparativos para tais testes”, destacou.
Entenda o contexto da escalada
Os EUA anunciaram na última terça-feira (4) a realização de um teste programado do míssil balístico intercontinental “Minuteman III” sem ogiva. De acordo com o serviço de imprensa da base militar, o principal objetivo do lançamento será testar a eficácia e o estado de prontidão do sistema de armas.
Antes disso, na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou testes de armas nucleares “em pé de igualdade” com outros países que supostamente possuem programas semelhantes. O senador Tom Cotton, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, sugeriu posteriormente que os testes nucleares anunciados por Trump envolviam pequenas explosões subterrâneas controladas.

A declaração da Casa Branca sobre a retomada dos testes nucleares surgiu após os anúncios da Rússia sobre o teste do veículo submarino de propulsão nuclear “Poseidon”, que aconteceu apenas alguns dias após o lançamento do míssil de cruzeiro intercontinental “Burevestnik”, também movido a energia nuclear.
De acordo com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valery Gerasimov, o míssil de cruzeiro “Burevestnik” completou um voo de teste de 14 mil quilômetros e que mais testes estão por vir.
Após os testes dos novos armamentos russos, Trump disse em entrevista à CBS News que os Estados Unidos testarão armas nucleares assim como outros países, citando a Rússia e a China entre eles.
Ao mesmo tempo, apesar de demonstrar prontidão em responder na mesma altura uma possível escalada em termos de exercícios envolvendo armas nucleares, Moscou demonstra cautela, buscando compreender as reais intenções de Donald Trump. Na reunião desta quarta-feira, por exemplo, membros do Conselho de Segurança da Rússia reconheceram ainda não entender perfeitamente o teor das declarações da Casa Branca.
O chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira russo, Serguei Naryshkin, relatou que, há alguns dias, foi encaminhado um telegrama do embaixador russo nos EUA, Alexander Darchiev, informando que diplomatas russos haviam contatado o Conselho de Segurança Nacional e o Departamento de Estado norte-americano para esclarecer as declarações do presidente Trump.
Em resposta, segundo Naryshkin, representantes da Casa Branca e do Departamento de Estado “evitaram uma resposta substancial” e asseguraram que “contatariam o lado russo caso fosse considerado necessário fornecer esclarecimentos substanciais”.
Já o secretário do Conselho de Segurança russo, Serguei Shoigu, também afirmou que ainda há muita nebulosidade sobre a posição dos EUA. “Com base na análise de todas essas declarações e anúncios, não compreendemos totalmente os próximos passos e ações dos EUA”, completou Shoigu.
