O dia a dia do maior Festival de Roteiro Audiovisual da América Latina, o FRAPA, inclui Mostra de Longas todas as noites, na Cinemateca Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736), no Centro Histórico de Porto Alegre. Depois da abertura com pré-estreia de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, com Wagner Moura, a 13ª edição do evento exibiu Uma em Mil, roteirizado pelos irmãos Jonatas e Tiago Rubert.
A seleção reúne outros títulos que foram destaques no circuito de festivais: A Natureza das Coisas Invisíveis, roteiro de Rafaela Camelo; Cais, escrito por Safira Moreira; e Nó, roteiro de Laís Melo e Saravy. Todas as exibições acontecem às 19h, são gratuitas e sempre seguidas de debates com roteiristas, acompanhados de intérpretes de Libras.
Melhor direção, melhor roteiro e melhor montagem na Mostra Sedac Iecine de Longas Gaúchos do 53º Festival de Cinema de Gramado e melhor filme da mostra Première Brasil – Novos Rumos do Festival do Rio, Uma em mil é a concretização desse esforço de renovar sempre os caminhos e as metas de chegada, arejando as formas de pensar e desconstruindo as caixinhas da filmografia tradicional do país.
Com sensibilidade e cuidado como características expoentes da narrativa, a produção do Rio Grande do Sul também recebeu elogios no FRAPA. Os diretores e as montadoras Joana Bernardes e Thais Fernandes participaram de um debate mediado por Jorge Furtado na noite de terça-feira (4).

O belo flyer da obra, com arte assinada por Leo Lage, traz a seguinte mensagem: “É bem normal dizerem que Uma em mil são as chances de uma pessoa nascer com Down. Esse filme é dirigido por dois irmãos, e o mais jovem tem a síndrome. Juntos, eles tentam entender por que um deles nunca trocou uma lâmpada na vida, e descobrem o que a invenção do rádio tem a ver com a invenção da escada. Isso mesmo. Este não é um filme normal”.
E o que ainda é anormal é completar a ficha técnica com Henrique Lahude (direção de produção), Gabriela Burck (direção de arte), Fábio Baltar (som direto) e a autoria de Gustavo Foppa e Jonts Ferreira na música original, com as gaitas de Cleber Puntel (Tio Cleber, que também tem Down e é personagem do filme).
Essa reunião de nomes de gabarito do audiovisual gaúcho contemporâneo já diz muito sobre Jonatas, seu trabalho, sua personalidade, sua forma de pensar o fazer cinema, esta tão falada “arte coletiva”. Ironia é que a melhor direção, o melhor roteiro e a melhor montagem da mostra em Gramado não somaram o suficiente para ser o melhor longa da competição – e nem ser selecionado para a mostra principal, com outros títulos do país, já que muitos que acompanharam o certame na Serra afirmaram que se tratava do “filme mais bonito” da edição.
Jurada do FRAPA, Raphaela Leite, consultora de dramaturgia Estúdios Globo, comenta: “O que mais me atravessou no Uma em Mil, para além da história contada, foi o fato de ser cinema da melhor qualidade. Jonatas e Tiago encontraram um caminho original e poderoso”. A convidada do evento em Porto Alegre já tinha se encantado pela obra no Festival do Rio: “Durante o debate, entendi que era um documentário que partiu de um roteiro desenvolvido, o que só corrobora o desejo dos diretores de fazerem um filme que discute a forma para além dos assuntos sensíveis que a história traz”.

“Eu ia assistir com um amigo meu do FRAPA, que havia convidado, só que na hora da sessão ele desistiu, porque ‘não queria assistir um filme triste’. Eu fui na sessão e, para minha admiração, o filme não só não é triste como é um filme alegre, um filme divertido, um filme engraçado”, narra Rodger Timm, cineasta de Porto Alegre.
Ele complementa a avaliação pensando em autoria e inovação: “Embora Jonatas tenha o dedo dele na direção, para mim, ficou muito claro que o autor do filme é o Tiago, porque nenhuma outra pessoa poderia contar aquela história da maneira que foi contada a não ser ele”. Na sequência, o realizador gaúcho reconhece parcela de autoria também ao tio Cleber, concluindo que é um filme sobre família, indo além da Síndrome de Down.
“Quantas histórias não foram contadas porque a gente não quis sair do lugar comum? Quantas pesquisas, músicas não foram feitas, quantas coisas foram perdidas, como sociedade, porque a gente simplesmente não abriu nossos horizons a gente não quis experimentar, conhecer mundos novos? A gente está sempre numa vertente assim, nos streamings, em Hollywood é sempre aquele mesmo, aquela mesma fórmula, aqueles algoritmos e é sempre a mesma história contada. A gente só tem a ganhar se a gente sair da bolha”, diz Timm. “Uma em mil é tão bonito. E, além da questão de ser um filme bom ou não, ele é um dos primeiros dirigidos por uma pessoa com Down. Só por isso ele já é algo pioneiro, e como vemos o pioneirismo sempre nos levou a lugares inimagináveis. A gente foi para a Lua, então, abram suas cabeças, assistam filmes diferentes, experimentem vivências diferentes, porque o mundo vai muito além das nossas experiências”.
Já Malu Moitinho, do Instituto Criar, de São Paulo, comenta que a produção dos irmãos Rubert lhe tocou muito: “Principalmente, pelo olhar de roteiro que propõe. É um documentário que foge completamente do formato tradicional, ele não tenta explicar nem ensinar nada. Ele simplesmente convida a gente a entrar na vida deles, de uma forma muito sensível e autoral”.
A jovem estudante de Audiovisual analisa outros aspectos: “Como roteirista, o que achei mais interessante foi perceber o quanto o filme é pensado como escrita, mesmo sendo documental, ele é quase todo roteirizado. E isso se reflete na montagem, que funciona como uma continuação do roteiro. Jonatas é diretor e montador, e as montadoras também participam criativamente, então o filme vai se construindo nesse diálogo entre roteiro e montagem, o que é muito rico”.
Em Porto Alegre para o FRAPA, Malu conta que o que mais a marcou foi a verdade dos autores e o processo de criação deles, atravessado pela própria relação familiar, pela escuta, pelo afeto: “Isso aparece muito no resultado final. O filme é muito sensível, muito verdadeiro, e também muito transformador pra quem estuda Cinema, porque ele amplia a ideia do que pode ser um documentário e do que é um roteiro. Existe uma verdade de sentimento ali, não no sentido factual, mas no sentido humano”. Para ela, é essa verdade que faz com que o espectador se identifique, mesmo sem viver a mesma realidade.
“E o mais bonito é como o filme usa a ficção pra abrir espaço pro sonho, pra liberdade. Ele permite que os personagens sejam quem são e quem querem ser: o tio que vira radialista; o irmão, que pra além de roteirista e diretor, também é bailarino, dança dentro do filme. Eles transformam a vida em linguagem. A performance, o som, o movimento, tudo vira narrativa”, elogia a roteirista.
Malu relata que o debate com Jorge Furtado trouxe a questão da verdade no documentário, o que seria encenação. “E isso me fez pensar na ideia de verdade do autor, como o Tarkóvski fala: que o filme é verdadeiro quando é honesto com o olhar de quem faz. Uma em mil precisa estar no FRAPA justamente por isso: porque é um filme que desafia a estrutura, mas sem perder o coração. Ele mistura a verdade do autor com a magia da ficção. E é aí que o cinema acontece, nesse lugar em que a sensibilidade e a invenção se encontram.”
Este “novo rumo” do longa gaúcho é uma espécie de junção das referências e formatos de Cinco Casas, de Bruno Gularte Barreto, com Memórias de um esclerosado, de Rafael Correa, que o próprio Jonatas e a Thais montaram. São dois dos documentais híbridos que mais sacudiram a cinematografia nacional do gênero nos últimos anos. Uma em mil tem ainda um quê do documentário estrito senso, Mães atípicas: Quem cuida de quem cuida?, de Suelen Cunha – na sequência da reunião das mulheres, para as quais, quase sempre, cai a incumbência do “cuidado”.
Trajetória, reconhecimento e homenagem no Festival de Três Passos
Por isso e tanto, nesta sexta-feira (7), Jonatas Rubert será homenageado no Festival de Três Passos, pela sua trajetória artística e contribuição à identidade e memória do evento, apesar de ter completado somente 35 anos na semana passada. “Vou responder do mesmo modo como respondi no e-mail que recebi do festival convidando para a homenagem. Primeiro, achei que tinham mandado errado. Geralmente, é uma coisa que se faz ou para quem já faleceu ou para uma pessoa adulta, não me sinto nenhum dos dois agora. A minha primeira reação foi essa”, conta o realizador.
O outro destaque do evento cinematográfico do Noroeste gaúcho, nesta quinta-feira (6) será a atriz, diretora, escritora e educadora Márcia do Canto, um pouco mais experiente e com nome consolidado no cenário artístico-cultural do estado há mais de 30 anos, além da participação em projetos pedagógicos.
Segundo a organização do festival, o troféu se deve à contribuição de Jonatas ao cinema e como educador em Três Passos, sendo professor nas oficinas do projeto Cidade Cinematográfica há quase uma década. Foi ainda montador de séries (Dragon), longas (Memórias de Um Esclerosado) e diretor de curtas premiados como A Diferença Entre Mongóis e Mongolóides.
“Depois, conversando com a galera do evento, eles me explicaram que estavam preferindo homenagear, ao invés de figurões do cinema, pessoas que realmente acompanharam o festival e que trabalham em prol das coisas que a iniciativa acredita. E eu vou a Três Passos já faz desde 2016, anualmente, algumas vezes por ano, para dar oficinas nas escolas para a comunidade”, explica o cineasta.
“O pessoal do festival é incrível. Sempre que posso, vou. Acho que não faltei nenhuma edição de lá para cá, sempre estou com algum filme, a maioria deles eu montei, mas dou um jeito de ir igual para poder acompanhar, que é bem legal”, ressalta o homenageado.

Ao lado de Germano Oliveira (este, com Bicho Monstro), Jonatas Rubert é outro montador de função que já realizou curtas, mas estreou como diretor de longas neste ano em Gramado, na Mostra Sedac Iecine de títulos gaúchos.
Confira na sequência a entrevista com o cineasta sobre o lançamento de Uma em mil:
Brasil de Fato: Mesmo híbrido, contando com performances, e roteirizado, o longa Uma em mil não deixa de ser documental?
Jonatas Rubert: Sim, é um documentário, mas a gente buscou não se prender nunca assim. A gente realmente roteirizou o filme inteiro, ele foi filmado quase como se fosse uma ficção, a maior parte. Tudo muito bem decupado. Então, ele brinca com isso assim A gente tentou sempre experimentar o máximo possível a linguagem.
Também tem o formato mais clássico de entrevista, mas a gente não se prende a ele, né? Sempre foi uma vontade, por exemplo, uma regrinha que a gente se colocou: não vamos fazer um Talking Heads (“cabeças falantes”, expressão utilizada no meio para designar documentários tradicionais basicamente com entrevistas captadas em plano médio). A gente achou que já tinha muitos filmes sobre o tema, inclusive, desse tipo.
E a gente queria criar algo que envolvesse de outra forma, que puxasse de outro jeito. E acho que também tem a ver com o tema, de a gente tentar buscar novas formas de contar sobre esse assunto. A gente sempre assistiu muitos filmes do tema. E acho que eu, justamente, ver o que se faz na temática da Síndrome de Down, especificamente, foi o que nos motivou muito a fazer o filme também. A gente via que tava precisando mais disso, assim, não só de falar do tema, mas de trazer o tema de formas mais variadas. Isso foi um pontapé inicial.
Tem outra coisa que é tentar fazer um filme que fosse aberto pra colaboração de todo mundo da equipe. E aí acho que a parte fundamental disso, não só como equipe, no caso do Tiago, por exemplo, não só como diretor, mas como elenco. A gente chama inclusive de elenco do filme, não chama de personagem. Tiago e Cleber também trouxeram muitas coisas, eles dominaram a narrativa junto. Não só eles, mas a equipe também. A gente chamava no roteiro de momentos de expressão, no início, mas as performances que eles fazem durante o filme são coisas propostas por eles.
Uma coisa que começou como do documental, e a gente foi entendendo juntos o que eles gostavam mais de fazer: o tanto que o Cléber é apaixonado por rádio, o tanto que o Tiago adora dançar. Começou a incorporar essas coisas no filme, muito aos poucos, foi um processo longo. Acho que isso que também fez muitas coisas funcionarem ali, o tempo que a gente deu para esse processo.
E aí eu acho que mora a coisa da mistura. Por exemplo, tem uma cena em que o Cleber está no Centro da cidade. Ele se encontra com as pessoas. Tem uma coisa não natural na cena, que a gente impôs a cena. Mas as pessoas que estavam ali, boa parte, eram pessoas que só estavam ali. Outras são pessoas que a gente chamou para fazer uma figuração. Mas é isso, não eram ensaiadas. Então, ao mesmo tempo, essa cena acho que é um ótimo exemplo da mistura, desse não se prender ao que pode ser documentário, ao que pode ser ficção. Melhor ainda, né? O documentário, o não-documentário, pra brincar, um pouco, com essa lógica.
Tu, que és um montador já com certa experiência, optou por passar essa responsabilidade para outras duas colegas. Podes justificar a escolha?
Sim, eu sou montador desde sempre, é o meu carro-chefe na profissão. Mas eu sou contra, e eu não conseguiria fazer assim, montar um meu próprio filme, sabe, o filme que eu dirigi. Em todos os curtas que eu dirigi, sempre tinha outra pessoa assinando a montagem. Eu acho que é uma parte fundamental do processo, colocar o olhar de outra pessoa. Se eu mesmo montasse, eu estaria abrindo mão de uma parte do processo. Então, acho que isso que é o principal motivo dessa escolha.
E, além disso, tem também a minha relação pessoal tanto com a Thais Fernandes quanto com a Joana Bernardes, as duas montadoras, que são minhas amigas de longa data. A Joana eu conheço desde a época que ela entrou na faculdade. Com a Thais, já comecei com uma relação profissional com ela. Eu montei os dois longas dela. E aí a gente fez essa dobradinha.
Tem uma coisa que é muito importante de ter essa relação próxima com elas, porque é um material muito pessoal. Pra eu desapegar da montagem, precisaria ser pessoas que eu confio muito, completamente, para além do profissional. São profissionais que têm uma ética, que têm uma sensibilidade muito grande para lidar com material que é tão íntimo. Isso foi fundamental.
A música regional gaúcha, com um certo protagonismo da gaita, surge ao longo do filme como uma grande carga identitária: “desta terra que eu amei desde guri”, cantas com o pequeno Tiago de menos de um mês no colo. Agora, adulto, esse “amor” segue, faz parte de ti? Esse elemento cultural era forte na vivência familiar de vocês, foi natural ser mantido na edição?
Eu amei essa chave que tu trouxe sobre a música regional, acho que faz muito sentido mesmo, nunca ninguém tinha comentado sobre isso. Nunca foi uma conversa dita, mas sempre foi da nossa vivência familiar, por isso há várias cenas que têm essas músicas ali presentes.
Quando criança, eu não gostava muito, eu era do rock, de outras coisas, outras brasilidades que não é essa. Na cena em que eu canto, é quase até uma tiração. Eu era uma criança muito sapeca, sempre falando, cantando, gritando, correndo por tudo. Naquele espírito, acho que foi coisa da situação.
Mas é muito interessante, porque, hoje, também fazendo filme, eu vejo o quanto essa formação musical é uma coisa que eu gosto também. Então, foi, sim premeditado pra reforçar isso no filme. Além, claro, da relação do reforçar a relação do Tiago e do Cleber com a música regional. O Cleber traz a coisa da gaita, o Tiago na dança também (isso até não está no filme, mas ele dança em CTG).
Tem uma relação realmente muito próxima que eu acho que não tinha como não carregar pro filme. Eu acho que ajuda a dar essa identidade, de fato.
O filme não é sobre a Down, mas é sobre o Tiago. E, tendo o Tiago em foco, a Down entra na narrativa.
É, o filme de fato não não parte exatamente da Síndrome de Down. Acho que dá pra dizer que ele é sobre Down, mas também dá pra dizer que não é. É isso. Ele é sobre relações humanas, e a gente usa a chave da Síndrome de Down como uma régua pra gente entender mais sobre ela, mas o filme no final das contas é sobre essas relações, mas é sobre coisas muito concretas do nosso dia a dia, das nossas rotinas e tal.
É uma coisa importante marcar ali que a Síndrome de Down não é uma doença, ela é uma condição genética. Doença, enfim, tem a premissa de que teria uma cura, mas não é o caso, não tem o que curar. É uma condição que tá ali e pronto.
Como fugir dos didatismos sobre a condição, inclusão e acessibilidade nessas obras que abordam pautas sociais? São temas que precisam entrar, mas como, sem comprometer a arte?
Sobre o didatismo, o fugir dele e tal, vou te ser bem sincero que acho que a gente nunca nem se preocupou com isso, porque eu acho que tem momentos do filme em que a gente é didático também. A gente marca essas coisas e passa por elas, algumas informações são importantes para as pessoas terem e conseguirem se relacionar mais com o filme, mas elas são pontuais e espalhadas pelo filme, são diluídas.
E aí que eu digo, que estava comentando antes de ser sobre as relações, a gente tenta observar o que nós, os seres humanos desta família, experienciamos, como é a nossa experiência humana. E aí a gente foca, começa, a partir dessa diferença que existe entre o Tiago e eu (ele ter síndrome de Down e eu não), e vai para vários lados. O que é, o que isso implica nas nossas vidas? Existem diferenças práticas? Quais são elas? Elas são legais? Elas não são? Enfim, tentar realmente olhar para isso a sério e sabe, com um olhar curioso de uma criança que está vendo uma coisa pela primeira vez. Eu acho que é o que a gente tentou fazer todo o tempo.
O título vem da probabilidade de nascimentos de bebês com Down, condição que deixam claro de início que é genética, porém não hereditária. Mas teria algumas outras camadas de sentido e interpretações abertas nessa expressão que pesaram para ela ser escolhida como o filme seria chamado?
Sim, esse título, acho que ele carrega outras camadas, além da informação de que, no mundo, um a cada mil nascimentos nasce uma pessoa com síndrome de Down. Uma em mil também está falando dessas vidas, mas não necessariamente só da pessoa com síndrome de Down, né? Também é uma a cada mil mães que passam por isso. Também é um a cada mil irmãos, vai conectando essas coisas.
É tudo sobre chance, também. Quais são as chances de uma pessoa nascer com Down? Uma em mil. Quais são as chances da gente conseguir fazer esse filme, sabe? Quais são as chances desse filme conseguir ser visto por um público, atingir as pessoas? Quais são as chances de a gente conseguir mostrar o que a gente realmente quer dentro desse filme? Eu sempre gostei muito desse título, assim, foi uma das primeiras coisas que saíram do projeto. A gente já tinha o título antes de ter o roteiro, antes de boa parte da pesquisa, lá em 2016, quando surgiu a ideia e a primeira versão escrita do projeto do filme.
