A devastação provocada por Israel na Faixa de Gaza foi denunciada como um fator agravante da crise climática global pelo embaixador do Estado da Palestina no Brasil, Ibrahim Al-Zaben, durante a plenária de encerramento da cúpula de chefes de Estado da COP30, realizada em Belém (PA). Ao falar na sessão desta sexta-feira (7), o representante palestino destacou que o genocídio em curso impede qualquer resposta climática efetiva por parte da Palestina.
Segundo Al-Zaben, a destruição sistemática de Gaza dos últimos dois anos, compromete não apenas a vida da população local, mas também a capacidade do território palestino de preservar seus recursos naturais e desenvolver políticas ambientais.
“Nossas comunidades sofrem fome, e a fome está sendo usada como arma”, afirmou o embaixador, chamando atenção para o impacto das ações militares israelenses sobre a infraestrutura hídrica, agrícola e urbana da região.
Ao defender uma iniciativa global que busque equilíbrio entre as nações frente à emergência climática, Al-Zaben pontuou que a Palestina está elaborando uma estratégia de longo prazo para redução de emissões de carbono, mesmo sob condições extremas de ocupação e destruição. Ele também relatou esforços para criação de um órgão climático nacional, em articulação com o setor privado.
“Sob ocupação não conseguimos cumprir condições essenciais nem atender às necessidades do nosso povo”, declarou.
Ocupação israelense agrava colapso ambiental e humanitário
A fala do embaixador ocorre após os impactos de dois anos sob ofensiva militar de Israel, iniciada em 7 de outubro de 2023. Desde então, ao menos 67 mil palestinos foram mortos — o que representa 3% da população total do território —, segundo levantamento da Al Jazeera. Entre os mortos, estão 20 mil crianças, o equivalente a uma por hora ao longo de 24 meses. Outros 169 mil ficaram feridos, muitos com mutilações graves.
A destruição da infraestrutura é quase total: 92% das moradias e 88% dos comércios foram danificados ou destruídos; 89% da rede de água e esgoto está comprometida, e 96% das famílias enfrentam insegurança hídrica. Hospitais e clínicas também são alvos: 125 unidades de saúde foram atingidas, 1.722 profissionais de saúde e ajuda humanitária morreram, e pelo menos 28 médicos seguem presos por forças israelenses, incluindo especialistas em cuidados intensivos e pediatria.
A fome, mencionada por Al-Zaben como “arma de guerra”, foi oficialmente reconhecida pela ONU em agosto como quadro de fome generalizada — a primeira no Oriente Médio segundo o sistema IPC. Mais de 459 pessoas, entre elas 154 crianças, morreram de inanição, e 12 mil crianças foram diagnosticadas com desnutrição aguda só em julho de 2025.
Apesar do colapso, a fala do representante palestino na COP30 reforçou o compromisso com metas climáticas. Para ele, o fim da ocupação israelense é pré-condição para que a Palestina possa cumprir plenamente suas obrigações ambientais e retomar um papel ativo na proteção do planeta.
“A Palestina já sofreu demais. Continuaremos enfrentando a ocupação, as mudanças climáticas e tudo o que se abate sobre nossa terra”, concluiu.
