Com 90% da safra de trigo já colhida, os preços do cereal caíram no mercado. Para equilibrar a situação, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai subsidiar a comercialização de 250 mil toneladas de trigo colhidas no Rio Grande do Sul e no Paraná e vendidas para outros estados do Brasil. A medida visa manter em atividade os agricultores dos dois estados, que são os maiores produtores do cereal no país, garantindo o preço mínimo de R$ 78,00 a saca de 60 quilos.
O trigo é o cereal mais consumido no Brasil, e a maior parte dele é importada da Argentina e da Rússia. O subsídio criado pelo governo federal, por meio da Conab, entre outras coisas, busca garantir a segurança alimentar da população.
Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (6), o presidente da Conab, Edegar Pretto, explicou que “diante do cenário de queda nos preços de mercado, decidimos garantir o escoamento de até 148 mil toneladas do Rio Grande do Sul e 102 mil do Paraná, os principais estados produtores de trigo no Brasil. Assim, reafirmamos nosso compromisso com a sustentabilidade da produção nacional. Para nós, é fundamental que o produtor continue plantando, e essas ações de escoamento da safra de trigo asseguram renda ao agricultor e o abastecimento do mercado interno”.
Segundo Pretto, a subvenção será executada por meio de leilões públicos, preferencialmente através do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), mecanismo acionado quando o preço de mercado de um produto agrícola fica abaixo do preço mínimo fixado pelo governo federal. A outra opção é o Prêmio de Escoamento do Produto (PEP), que é pago ao comprador caso o preço caia abaixo do mínimo. Em ambos os casos, o produto precisa ser escoado para fora dos estados produtores para enxugar os mercados locais.
Ainda conforme a explicação dada na coletiva, no Rio Grande do Sul, o preço médio da saca de 60 quilos de trigo fechou nesta sexta-feira em R$ 58,11 – R$ 20,40 abaixo do valor mínimo de R$ 78,51. Já no Paraná, o preço de mercado fechou, também nesta sexta, em R$ 64,00, o que resultaria em um prêmio estimado em R$ 14,51. Lembrando que os preços podem variar de acordo com a data em que os leilões ocorrerem, o que pode impactar a quantidade de trigo subsidiada.
Os leilões ocorrerão por meio do Sistema de Comercialização Eletrônica da Conab (Siscoe). Para participar, é necessário estar cadastrado em uma das Bolsas de Mercadorias credenciadas à Conab e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e demais Agentes (Sican). É preciso também estar em situação regular junto ao Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes da Conab (Sircoi), ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf) e ao Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).
Safra e área plantada
Neste ano, o clima foi favorável ao desenvolvimento da cultura na maior parte do período, e mesmo assim a Conab estima uma produção nacional de 7,7 milhões de toneladas de trigo, 2,4% abaixo da safra de 2024. A redução na colheita decorre, principalmente, da retração de 19,9% na área cultivada, motivada por condições menos favoráveis ao cultivo no momento da decisão de implantação da atual safra. O RS é o principal produtor do cereal no Brasil. O estado finalizou a semeadura com uma área de 1,16 milhão de hectares, queda de 13,7% em relação à safra anterior. A produção está estimada em 3,7 milhões de toneladas, um recuo de 6,3%. A colheita atualmente atinge 40% da área total.
Já no Paraná, segundo maior produtor, estima-se uma área de 824 mil hectares, redução de 28,1% em comparação com o ciclo anterior. A produção está prevista em 2,5 milhões de toneladas, aumento de 5,9%. Aproximadamente 90% da área total do estado já foi colhida.
