Cultura na ocupação

‘Pedra dura que perdura ou porque ocupar’ retrata resistência cultural na zona leste de São Paulo

Documentário evidencia luta por moradia, direito à cidade e à cultura nas ocupações periféricas

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Moradores da Zona Leste transformam espaços abandonados em centros culturais
Moradores da Zona Leste transformam espaços abandonados em centros culturais | Crédito: Reprodução/YouTube

Nascido das quebradas da zona leste de São Paulo, o documentário Pedra dura que perdura ou porque ocupar faz um retrato da arte e da resistência que emergem das ocupações culturais da região. O filme, dirigido por Allan Brasil e Elis de Castro Alonso, estreia nesta sexta-feira (7), às 17h, na Ocupação Cultural Coragem, no bairro de Itaquera, com exposição, pocket show e feira de mulheres.

Segundo Alonso, o projeto nasceu de um trabalho coletivo e de escuta das próprias comunidades. “Viemos em um processo de militância desde 2023 aqui. A nossa intenção é entender que cultura queremos para a periferia, porque entendemos que o que nos resta é muito pouco, para não dizer nada”, explica. Ela destaca que o filme também surge da urgência de registrar as dificuldades enfrentadas por artistas periféricos. “Existe uma série de problemáticas que atravessam o nosso fazer cultural, desde a reintegração de posse até as dificuldades financeiras para a produção”, cita.

Brasil reforça que o longa vai além do registro artístico. “O filme também tem uma tentativa de demonstrar o processo histórico de espoliação que a classe trabalhadora acaba sofrendo nas mãos da classe dominante. O direito à propriedade privada se sobrepõe ao direito à vida, basicamente”, aponta. Para ele, a obra funciona como um memorial das lutas culturais e urbanas. “Se não contarmos a nossa própria história, quem vai contar vão ser nossos inimigos”, diz.

Os diretores contextualizam a história da Cohab 2, o conjunto habitacional de origem do projeto, e sua relação com a falta de infraestrutura herdada da ditadura militar. “Constrói-se esses bolsões de habitação, os famosos predinhos carimbo, onde você tem projetos absolutamente iguais uns aos outros, numa lógica de que o trabalhador não precisa de nada a não ser de um lugar para descansar”, critica Brasil. Alonso acrescenta que “a Cohab foi criada como uma cidade-dormitório. As pessoas começaram a abrir lojinhas nas janelas para a comunidade ter acesso ao básico”.

O evento de estreia contará com a exposição Papéis brancos para meninos pretos, do artista Fernando Pita, um show da banda BFR (Baseado em Fatos Reais) e a Feira da Coragem, organizada por mulheres artesãs do território. “Vai ser um evento muito legal, convidamos todo mundo para estar lá”, conclui Alonso.

Serviço

Estreia do documentário Pedra dura que perdura ou porque ocupar

  • Ocupação Cultural Coragem – Rua Vicente Avelar, 31 Cohab 2 – Itaquera – SP
  • Sexta-feira (7), às 17h

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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