SERVIDORES PÚBLICOS

Crise no funcionalismo gaúcho leva professores e policiais a paralisar atividades nesta terça-feira (11)

Educação e segurança pública se unem em protestos pela reposição salarial de 15,2% e por melhores condições de trabalho

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Rosane Zan é a nova presidente do Cpers | Crédito: Joana Berwanger/Sul21

O funcionalismo público do Rio Grande do Sul prepara uma mobilização nesta terça-feira (11), com paralisações e atos unificados em diversas cidades. Professores e policiais civis irão realizar atos para denunciar a falta de diálogo do governo estadual e reivindicar a reposição salarial de 15,2%, percentual que representa as perdas acumuladas dos últimos anos frente à inflação.

Em Porto Alegre, o Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato), que representa os trabalhadores da educação estadual, realiza o Dia de Paralisação e Ato Estadual. A concentração começa às 9h, em frente ao IPE Saúde, e segue em caminhada até o Palácio Piratini, onde ocorrerá o ato público estadual pela valorização da categoria, previsto para as 10h.

A mobilização cobra do governo Eduardo Leite (PSD) a inclusão da revisão geral dos salários dos servidores públicos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. O Cpers também reivindica a defesa do IPE Saúde público e de qualidade, denunciando o desmonte do atendimento e o aumento de descontos para os servidores.

Educação: perdas salariais e desgaste acumulado

Na rede estadual de ensino, os trabalhadores acumulam mais de nove anos de congelamento salarial. Segundo levantamento do Cpers, mesmo com o aumento da arrecadação estadual e o superávit nas contas do governo, a defasagem ultrapassa 40% em relação à inflação desde 2014.

O sindicato afirma que o governador vem adotando uma política de “arrocho e desvalorização”, enquanto o estado amplia incentivos fiscais a grandes empresas. “A cada ano, os educadores perdem poder de compra, e o resultado é a precarização da escola pública. O discurso de eficiência fiscal não pode ser sustentado às custas da miséria de quem educa nossos filhos”, critica a presidente do Cpers, Rosane Zan.

O movimento também alerta para o impacto da crise salarial na qualidade do ensino. A evasão de profissionais tem aumentado, e muitos docentes relatam dificuldade para manter duas jornadas de trabalho diante do custo de vida. A categoria exige o cumprimento da Lei do Piso Nacional do Magistério, que prevê atualização anual dos salários com base no crescimento do valor por aluno do Fundeb.

Segurança pública: estruturas precárias e falta de pessoal

A paralisação do dia 11 também será marcada pela adesão dos policiais civis, representados pelo Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Estado do Rio Grande do Sul (Ugeirm Sindicato), que decidiram em assembleia realizar o mesmo movimento estadual. A categoria cobra o mesmo índice de 15,2% e reivindica a retomada da simetria salarial com os capitães da Brigada Militar, a publicação das promoções, melhorias nas condições de trabalho e a restauração da paridade nas aposentadorias, por meio da aprovação da emenda da Cobrapol à PEC da Segurança Pública.

A direção da Ugeirm afirma que a situação da segurança pública é “bem diferente da imagem apresentada nas redes sociais do governo”. De acordo com a diretora Neiva Carla Back, “por trás dos números do combate à violência há uma polícia sucateada, com prédios deteriorados, risco de desabamento, servidores exaustos e adoecidos pela sobrecarga de trabalho”.

Os policiais civis também denunciam a falta de diálogo com o governo, que, segundo o sindicato, se nega a receber representantes da categoria. “A paralisação é uma resposta à ausência de interlocução e ao bloqueio da participação sindical em reuniões sobre temas que nos afetam diretamente”, afirma o vice-presidente da Ugeirm, Fábio Castro.

Durante o dia de paralisação, a entidade orienta que os policiais realizem atos públicos em frente às delegacias, conversando com a população e explicando as razões da mobilização.

Unidade do funcionalismo e perspectivas

Os sindicatos anunciam ainda um calendário de mobilizações contínuas até o fim do ano, incluindo uma carreata em Porto Alegre e uma marcha da Polícia Civil, cuja data será definida nas próximas semanas. A expectativa é pressionar o governo durante a tramitação da LOA 2026 na Assembleia Legislativa, que deve ser votada até dezembro.

Para o vice-presidente da Ugeirm, Fábio Castro, o dia de paralisação “é um impulso para a retomada das mobilizações”. Ele diz ser necessário “romper o cerco midiático e mostrar à sociedade que o serviço público está à beira do colapso”.

No mesmo sentido, o Cpers reforça que o ato do dia 11 é apenas o começo de uma nova etapa da luta. “O governo precisa entender que sem valorização não há educação, e sem educação não há futuro para o Rio Grande do Sul”, afirma Helenir Schürer.

O Jornal Brasil de de Fato RS procurou o governo do estado sobre as denúncias e até o fechamento da matéria não houve retorno.

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