O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, publicou, neste domingo (9), uma carta aos países que compõe a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em que fez um chamado à defesa conjunta de região, diante das investidas militares dos Estados Unidos. O bloco realiza sua 4ª Cúpula em conjunto com a União Europeia, em Santa Marta, na Colômbia, entre domingo (9) e segunda-feira (10).
“O princípio que está hoje em jogo é claro e decisivo: a soberania dos Estados e a livre autodeterminação dos povos. A Venezuela declara isso com absoluta clareza: não aceita nem aceitará qualquer tutela. Não aceitamos que, sob eufemismos como a ‘segurança’ ou a ‘luta contra o narcotráfico’, se pretenda impor a velha Doutrina Monroe, que busca converter a nossa América em cenário de invasões e golpes de ‘mudança de regime’ para roubar nossas imensas riquezas e recursos naturais”, disse o mandatário venezuelano, que não compareceu ao encontro.
Maduro, então, pediu unidade ao bloco na defesa da região. “Diante das ameaças bélicas no Caribe e execuções que foram denunciadas na ONU, somos obrigados, para preservar a paz da região, a somar nossas forças como países e, em uma só voz, exigir o fim imediato dos ataques e ameaças militares contra o nosso povo. Convoco os presidentes e chefes de Estado aqui presentes a fazer desta Cúpula um ato de firmeza: proclamemos a defesa inconstitucional da nossa América como uma zona de paz.”
Neste domingo, uma declaração conjunta foi emitida pela Cúpula. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, ou o governo Trump, os países rechaçaram o “uso da força” na região. “Reiteramos nossa oposição à ameaça ou uso da força e a qualquer ação que não esteja em conformidade com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas”, diz o documento.
Kaja Kallas, a vice-presidente da Comissão Europeia, disse que os Estados Unidos não foram mencionados na declaração porque não houve consenso. “É simples: não teríamos as assinaturas de alguns países [se os Estados Unidos fossem mencionados]. A diplomacia funciona assim”, disse, em entrevista ao El País.
No domingo, o presidente Lula viajou de Belém, onde ocorre a COP30, a Colômbia, para marcar presença na Cúpula da Celac e União Europeia. Sem citar os Estados Unidos, nem a Venezuela, o mandatário brasileiro criticou as “velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais” e disse querer a paz na região. “Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional.”
