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China acusa Japão de desafiar soberania com ameaças militares sobre Taiwan

Pequim reforça soberania, relembra ocupação japonesa e denuncia uso ilegal de autodefesa como pretexto para ameaças

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A China é símbolo mundial da luta contra o imperialismo e o fascismo, reconhecida por seu papel decisivo na derrota do Japão e no Front Oriental, e por essa razão é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, com direito a veto, destacando sua relevância global | Crédito: Xinhua

O governo chinês reagiu nesta segunda-feira (10) às declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre a possibilidade de intervenção militar do Japão em Taiwan sob o argumento de “autodefesa coletiva”. Pequim destacou que a eventual justificativa argumento é juridicamente inválida, já que Taiwan não pertence ao Japão e qualquer intervenção externa representaria a violação da soberania chinesa.

Na sexta-feira passada (7), Takaichi afirmou que, se Taiwan fosse atacada com o uso de navios de guerra e força militar, isso poderia configurar uma “crise de vida ou morte” para o Japão. Nesta segunda-feira, reafirmou suas declarações, mas disse que evitaria assumir cenários específicos no futuro.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, classificou as falas como uma violação grave do princípio de Uma Só China e alertou se o Japão não está “tentando repetir seus erros do passado”. “Que sinal a líder japonesa pretende enviar às forças separatistas de Taiwan? Ela busca desafiar os interesses centrais da China e impedir a reunificação nacional? Em que direção o Japão quer levar as relações sino-japonesas?”, questionou.

O princípio de Uma Só China estabelece que há apenas uma China no mundo e que Taiwan é parte do território chinês, posição reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1971. Pequim lembra que qualquer interferência externa é uma violação grave à soberania chinesa.

“Taiwan é a China. Como resolver a questão de Taiwan e alcançar a reunificação é um assunto interno da China que não tolera nenhuma interferência externa”, declarou Jian.

Horrores do passado

A atual tensão no estreito de Taiwan está profundamente ligada à história do expansionismo japonês na Ásia. Entre 1937 e 1945, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, o Japão ocupou vastas regiões da China continental, cometendo massacres, estupros em massa e genocídio, resultando em mais de 20 milhões de mortos, de acordo com o Museu da Resistência Chinesa contra a Agressão Japonesa.

O episódio mais emblemático foi o Massacre de Nanjing (1937‑1938), com cerca de 200 mil a 300 mil civis e combatentes desarmados mortos, e dezenas de milhares de mulheres vítimas de estupros coletivos.

Taiwan também foi colonizada pelo Japão entre 1895 e 1945, sofrendo exploração econômica, repressão cultural e militarização, até ser restaurada como parte da China após a rendição japonesa.

“A Declaração do Cairo e a Proclamação de Potsdam exigem explicitamente que todos os territórios que o Japão roubou dos chineses, como Formosa e os Pescadores, sejam devolvidos à China. Ambos os lados do Estreito de Taiwan pertencem a uma única China”, relembrou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, no final de setembro.

Pequim vê elo direto entre a ocupação japonesa e a atual crise, e alerta que declarações como as de Takaichi podem ressuscitar tensões antigas e ameaçar a soberania chinesa.

Durante o Encontro Informal de Líderes do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (Apec), no final de outubro, o diplomata japonês Kao Chia postou uma foto com o representante taiwanês Lin Hsin-yi, provocando protesto oficial de Pequim, que considerou a ação uma tentativa de interferir em assuntos internos da China.

Militarização do estreito: Japão desafia a China

A tensão aumentou com a expansão militar japonesa e de seus aliados no Pacífico, enquanto Pequim mantém a reunificação pacífica de Taiwan como prioridade estratégica, reforçando sua prontidão militar. O Japão modernizou suas forças armadas e investiu em navios de guerra, caças e sistemas de defesa avançados.

Em setembro deste ano, o país participou de uma série de exercícios militares no Pacífico com os Estados Unidos, com o objetivo de implantar um sistema para lançamento de mísseis, segundo informou a CNN.

Segundo Pequim, qualquer justificativa de autodefesa coletiva sobre Taiwan é ilegal, pois a ilha é território chinês. Essa retórica aumenta o risco de confrontos e instabilidade regional.

Além do aspecto militar, Taiwan tem importância econômica estratégica: com mais de 23 milhões de habitantes, concentra 46% da capacidade mundial de semicondutores, essenciais para a indústria tecnológica global. O governo chinês alerta que, por essa razão, a militarização do estreito ameaça a estabilidade econômica mundial.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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