fantasia verde

Em protesto, MST denuncia: ‘Agrizone, tu não me engana’

Manifestação evidencia que empresas responsáveis pela crise ambiental tentam se apropriar do discurso verde

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Manifestantes tomaram espaço da Agrizone denunciando a contradição do discurso verde de quem mais devasta | Crédito: Afonso Bezerra/BdF

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou um ato, nesta terça-feira(13), na AgriZone, área idealizada pela estatal Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) dentro da programação da COP30, em Belém, e que contou com patrocínio de grandes marcas como Nestlé, Sygenta e Bayer.

A manifestação teve como objetivo denunciar que o espaço contou com apoio de empresas associadas ao agronegócio, modelo apontado pelos manifestantes como o principal responsável pela crise climática.

O grupo, fantasiado com roupas prestas que representavam a “morte”, entrou no principal espaço de debates do evento e cantou palavras de ordem como “Agrizone, tu não me engana”. Outros integrantes do ato também usam um pulverizador com a palavra “glifosato” escrita.

“Este espaço foi dominado pelo agronegócio, que busca ampliar seus lucros e construir sua imagem de ‘verde’, às custas da natureza e das comunidades”, afirmou Divina Lopes, da coordenação nacional do MST.

Na lista de seus patrocinadores da Agrizone estão Bayer, Syngenta, Nestlé e PepsiCo. A Amaggi, uma das maiores empresas brasileiras do setor, têm destaque. Além disso, as principais entidades representantes do agronegócio também têm presença central na Agrizone. A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) estão em evidência no espaço.

De acordo com dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o principal vetor das emissões de gases do efeito estufa no Brasil é o desmatamento e a mudança do uso da terra. No Brasil, 74% das emissões de gases de efeito estufa são causadas pelo agronegócio e seu complexo industrial.

No total, as emissões brasileiras em 2024 ficara assim: 42% vieram do desmatamento, 29% da agropecuária, 20% da energia, 5% dos resíduos e 4% da indústria.

“As empresas do agronegócio se apropriaram do espaço, submetendo órgãos públicos como a Embrapa, universidades e agências de assistência técnica”, destacou Divina Lopes

Para o MST, não há como superar a crise climática se associando aos principais responsáveis por ela.

“Se, de fato, queremos enfrentar as consequências da crise ambiental, precisamos considerar que o agronegócio é seu responsável em nosso país”, finalizou.

Em nota, a Embrapa informou que a AgriZone é um espaço “público, gratuito e plural”, promovido pela empresa pública e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com outros ministérios, incluindo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).

“Criada no contexto da COP30, a iniciativa tem como objetivo aproximar ciência, produtores, sociedade civil e gestores públicos em torno da agricultura sustentável e de baixo carbono. O espaço conta com o apoio financeiro de patrocinadores, cujas contribuições seguem critérios de transparência e conformidade com as normas públicas vigentes. Esses aportes possibilitam a estruturação do ambiente e a realização das atividades, sem qualquer interferência em conteúdos técnicos ou institucionais”, diz o texto.

“A Agrizone reafirma seu caráter aberto, democrático e plural, acolhendo diferentes visões como parte legítima do diálogo público. A diversidade de opiniões fortalece o compromisso com a ciência, o respeito e a construção conjunta de soluções para uma agricultura mais sustentável e inclusiva”, completa a Embrapa.

Editado por: Luís Indriunas

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