Com a proximidade de 2026, a disputa para ocupar o Palácio do Buriti vai se acirrando. De um lado, desponta a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Republicanos). Ungida do atual governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), à sucessão, cada vez mais ela tem assumido a capital federal durante as viagens do governador para o exterior.
O movimento, pelo visto, tem dado retorno. De acordo com o levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) em outubro, Leão se consolida como favorita, com 28% de intenção de votos. No entanto, a republicana tem um rival no ex-governador José Arruda (sem partido) que figura com 14% das intenções.
Outro levantamento, do Instituto Paraná Pesquisas, também aponta para a disputa entre Leão e Arruda. Nesse cenário, a atual vice-governadora aparece com 32,2%. Logo atrás, Arruda pontua 29,8%. Com uma margem percentual de 2,6 pontos, eles estão empatados tecnicamente.
Inelegibilidade à porta
Apesar da forte expressão política, a situação de Arruda é complicada. Ele estava inelegível desde 2014 em decorrência de um processo de improbidade administrativa de investigações ligadas à corrupção. Os fatos deram origem à Operação Caixa de Pandora em 2009.
Em tese, Arruda estaria inelegível em 2026. As mudanças aprovadas na Lei da Ficha Limpa, porém, reduziram o tempo de perda dos direitos políticos. O teto de inelegibilidade para o caso de condenações em múltiplos processos passou a ser de oito anos a partir da condenação em segundo grau.
A nova regra beneficiaria Arruda, visto que já se completaram os oito anos. Ocorre que há uma controvérsia se retroage ou não a medida neste caso em específico, já que a condenação foi anterior à lei sancionada pelo presidente neste ano.
Segundo especialistas em direito eleitoral, o futuro do ex-PL vai depender da política judiciária do Tribunal Eleitoral. A tendência técnica é que a inelegibilidade seja reconhecida. A expectativa é que a Justiça Eleitoral se debruce sobre o caso apenas no ano eleitoral. Se a ficar definida a elegibilidade, o caso poderá abrir precedentes para outras condenações.
Operação Drácon
No caso de Celina Leão, o imbróglio jurídico-eleitoral também não é dos mais favoráveis. Ela também é ré em um processo de improbidade administrativa. Este refere-se à Operação Drácon, com denúncias de recebimento de propina para indicação de emendas parlamentares para compra de leitos de unidades de terapia intensiva em 2015 e 2016, enquanto ainda era deputada.
Com as eleições se aproximando, a vice-governadora tem concentrado esforços para se livrar de uma condenação que comprometa a sua ascensão ao Palácio Buriti. Só neste ano, o Tribunal de Justiça do DF negou dois recursos da defesa contra as provas materiais que levaram à sua condenação.
A Justiça reconheceu a validade e a licitude das gravações de parlamentares em uma negociação de propina. O magistrado também considerou o pedido “protelatório e impertinente”. A possibilidade de uma inelegibilidade no caso de Celina Leão também não é descartada. Mas o seu destino, assim como Arruda, só deve ser cravado em 2026.
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Ritmo de pré-campanha
Enquanto o relógio corre e as eleições se aproximam, os possíveis candidatos tentam a todo custo se livrar do xadrez jurídico que se encontram. Nas redes sociais, Arruda já se movimenta em ritmo de pré-campanha. Visitas às regiões administrativas, entrevistas a podcasts e críticas à atual gestão do DF inundam o perfil.
Em um vídeo recente, ele comemora as pesquisas eleitorais. “Foi só sair a pesquisa, muito boa para nós, que já aparecem pessoas dizendo que não posso ser candidato. Uma verdadeira campanha para dizer que não estou elegível. Não é verdade, eu estou elegível. A lei é muito clara: o marco temporal, o prazo começa a contar na decisão de segundo grau, que foi em 2014. Os oito anos já passaram. Eu estou no jogo, estou de volta”, diz Arruda na publicação fixada no perfil
Do outro lado, a pupila de Ibaneis Rocha tem assumido o lugar da gestão enquanto o governador passa as férias longe de Brasília. Reuniões, entrega de obras e eventuais registros no Palácio do Buriti fazem parte da rotina nas redes sociais da postulante ao GDF.
Enquanto a disputa para alcançar a gestão do DF em 2026 vai ficando cada vez mais acirrada, moradores da capital federal se assolam com obras intermináveis, corte de verbas na saúde e educação, além das privatizações a perder de vista.

