Pesquisa

Genial/Quaest: maioria apoia ‘megaoperação’ no Rio, mas rejeita ação semelhante em seus próprios estados

A pesquisa também revelou uma tendência punitivista entre os entrevistados

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Ação nos complexos do Alemão e da Penha foi operação mais letal da história do Rio de Janeiro | Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

De acordo com pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (12), a maioria da população do Brasil e do Rio de Janeiro aprovam a “megaoperação” das polícias cariocas – a mais letal da história – que resultou na morte de 117 civis e quatro policiais na última semana de outubro. 

No país, em pesquisa realizada em novembro, 67% dos entrevistados afirmaram aprovar a ação, enquanto 25% disseram desaprovar. Outros 4% declararam não aprovar nem desaprovar, e 4% não souberam ou não responderam. Já a pesquisa realizada em outubro com recorte apenas no Rio de Janeiro trouxe dados semelhantes: 64% aprovam a operação, 27% desaprovam, 6% se dizem indiferentes e 3% não souberam ou não responderam.

Embora a maioria dos entrevistados aprove a operação, 55% afirmaram que não gostariam que uma ação semelhante fosse realizada em seus próprios estados. Outros 42% disseram que seriam favoráveis, e 3% não souberam ou não responderam.

Além disso, 84% dos participantes consideram que a violência no Rio de Janeiro é maior do que em seus estados, enquanto 11% avaliam que é parecida e apenas 4% a veem como menor.

A pesquisa também mostrou que a maioria dos entrevistados (57%) discorda da declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a operação policial foi “desastrosa” do ponto de vista da ação do Estado. Outros 38% concordam com a afirmação, enquanto 5% não souberam ou não responderam.

No início de novembro, o presidente afirmou que “o dado concreto é que a operação, do ponto de vista da quantidade de mortes, as pessoas podem considerar um sucesso, mas do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela foi desastrosa”.

A pesquisa também revelou uma tendência punitivista entre os entrevistados. Quase metade (46%) apontou que o enfrentamento ao crime passa por leis mais duras, penas mais longas e maior rigor do Judiciário. Em contrapartida, apenas 27% acreditam que a solução está em investimentos em educação, geração de oportunidades e políticas sociais.

Na mesma direção, 88% dos participantes disseram considerar que as penas aplicadas hoje são brandas e deveriam ser mais severas, e 73% defenderam que as organizações criminosas sejam enquadradas legalmente como grupos terroristas.

Apesar do posicionamento favorável à operação e a penas mais duras, a maioria dos cariocas é contra pedir ajuda aos Estados Unidos para combater o tráfico. No Rio, 62% dos entrevistados discordam que o país deva solicitar apoio dos EUA, 36% são favoráveis e 2% não souberam ou não responderam. No levantamento nacional, 45% dos entrevistados concordaram com a ideia, enquanto 50% discordaram e 5% não souberam ou não responderam.

Aprovação do governo Lula

A desaprovação do governo Lula também foi testada na pesquisa. O presidente se manteve estável em relação a pelo menos três levantamentos anteriores, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos: 51% em agosto e setembro, 49% em outubro e 50% agora em novembro. A aprovação também se manteve estável: 46% em agosto e setembro, 48% em outubro e 47% na última pesquisa.

O petista também mantém as mesmas tendências nas regiões do país, tendo a maior aprovação no Nordeste (59%) e a menor no Sul (38%). Ainda seguindo estabilidade em relação aos dados anteriores, Lula é melhor aprovado entre as mulheres (51%) do que entre os homens (43%).

No recorte por faixa etária, a desaprovação entre aqueles que têm entre 35 e 59 anos superou a aprovação: 50% desaprovam e 47% aprovam. Em outubro, Lula tinha 46% de desaprovação e 51% de aprovação.

No total, foram entrevistados presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de novembro. O nível de confiança é de 95%.

Editado por: Nathallia Fonseca

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