Pesquisa Quaest

Queda na aprovação de Lula mostra fragilidade do governo na pauta da segurança pública, avalia cientista política

Para Mayra Goulart, campo progressista ainda carece de propostas 'de efeito imediato' para lidar com violência

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Brazil’s President Luiz Inacio Lula da Silva arrives at the Association of Southeast Asian Nations (ASEAN) Secretariat in Jakarta on October 24, 2025. (Photo by Aditya IRAWAN / AFP) | Crédito: Aditya IRAWAN / AFP

A queda na aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontada pela pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (12), está ligada à mudança de foco do debate público. Temas em que o governo costumava ter bom desempenho deram lugar à segurança pública, área em que ainda faltam respostas consolidadas. A avaliação é da cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

“Observamos um momento de deslocamento da pauta de um conjunto de temas em que o governo performa muito bem”, explica Goulart, citando avanços na economia e na política externa. “Quando a pauta se desloca para a segurança pública, o panorama é completamente diferente. O PT não tem uma formulação consolidada sobre o tema e, quando se manifesta sobre isso, a formulação não atende aos anseios da população”, avalia.

Segundo a professora, enquanto o campo progressista tende a propor soluções estruturais que relacionam a violência à vulnerabilidade social, parte da população demanda medidas de curto prazo. “Quem tem o cotidiano perpassado pela ameaça, pelo medo, pela violência, demanda soluções mais imediatistas e não tão estruturais”, indica.

Ao comentar a operação policial que matou 121 pessoas no Rio de Janeiro, promovida pelo governador Cláudio Castro (PL), Goulart destacou a contradição na percepção popular. “É interessante: 67% da população em âmbito nacional aprova. Mas, quando perguntado se eles queriam uma operação desse tipo nas suas cidades, 55% é contra”, cita.

Para ela, o apoio a ações violentas muitas vezes nasce do “desejo de vingança” de quem sofre com o crime organizado, mas não vê nelas uma solução efetiva.

Sobre o Projeto de Lei (PL) Antifacção, atualmente em disputa entre o governo e a oposição no Congresso, Goulart afirmou que o texto se tornou um “cabo de guerra”. “A oposição, em particular os partidos de direita, quiseram se apropriar desse projeto e começaram a aventar a ideia de usar o marco legal do terrorismo para se apropriar do aumento de penas, sem incorporar a tipificação como terrorismo”, lembra.

A cientista política avaliou ainda que a segurança pública deve dominar o debate eleitoral de 2026, mas não necessariamente em benefício do governo. “Esse não é um tema favorável para o governo, mas daqui até a eleição tem muita coisa para surgir”, pontua.

Ela também comentou a movimentação de nomes da direita e da extrema direita com pretensões presidenciais, como os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO). “É um campo sem uma liderança inequívoca. Tarcísio não exerce uma liderança respeitada por todos os segmentos desse campo político. O que abre espaço, inclusive, para um outsider”, analisa.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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