Resistência

Rapper GOG celebra Dia Mundial do Hip Hop com festival em Brasília

Evento nesta quarta (12) promove shows e debates no Teatro dos Bancários a partir das 15h

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Teatro dos Bancários recebe festividade na próxima quarta-feira (12).

Com poesia, batida e valorização de uma consciência cultural, novembro celebra o Dia Mundial do Hip Hop. Partindo desta festividade, nesta quarta-feira (12), o Teatro dos Bancários, em Brasília, será tomado pelo festival GOG (Com)Vida. O evento, idealizado pelo rapper GOG, celebra os 50 anos da cultura hip hop e propõe uma reflexão sobre o papel social e político que o movimento exerce nas periferias brasileiras.

A data faz referência à fundação da Universal Zulu Nation, em 1973, por Afrika Bambaataa, quando foram consolidados os quatro elementos do Hip-Hop: DJ, MC, break e grafite. A partir desse marco, o movimento passou a se expandir para diferentes países, entre eles o Brasil, onde ganhou força nas periferias urbanas e passou a reunir manifestações artísticas e sociais voltadas à expressão da juventude e comunidades.

Para GOG, o festival nasce da urgência em transformar dor em criação e denúncia em ação coletiva. Ao Brasil de Fato DF, o artista destaca que as periferias brasileiras têm sido palco de tragédias sociais, pois o Estado tem falhado em oferecer alternativas concretas.

“O Brasil-periferia foi o palco de mais um massacre”, afirma ao se referir a chacina no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e Alemão. “A única política que o Estado tem para nós é o enfrentamento bélico, letal, covarde. Foram-se os tanques, ficaram os corpos e uma ausência total de políticas públicas reais”, expressa o poeta.

Diante desse cenário, o rapper reforça que a cultura segue sendo uma das últimas trincheiras de esperança e resistência, para as populações afetadas. “O hip hop atinge o seu pico máximo de responsabilidade por ações nas comunidades. Precisamos nos reunir, montar estratégias, superar a ausência das políticas públicas. Nós por nós”.

Cultura hip hop

É nesse contexto que o festival GOG (Com)Vida surge, juntando arte, diálogo e formação. No palco, estarão nomes que marcaram gerações do rap nacional, como Dexter, Atitude Feminina, Renan (Inquérito), Japão (Viela 17), X (Câmbio Negro), Janine Mathias, Thabata Lorena, Mascoty (Ideologia e Tal) e Bira e o Bando (PE), e ainda uma atração surpresa.

Além de uma sequência de shows, o festival tem como objetivo proporcionar a vivência do hip hop em sua totalidade. O “Momento Elementos” reúne DJs como Soundersound, Marola e Freedom Beat, o grupo DF Zulu Breakers, o Sarau da Casa, a Batalha de Rimas e o grafiteiro Guga Baygon, representando os fundamentos que sustentam o hip hop há meio século.

A proposta do GOG (Com)Vida vai além da celebração artística: é um chamado à vida, à união e à consciência. “O evento celebrará não apenas o Dia Mundial do Hip Hop, mas acima de tudo referendará o direito à vida”, afirma. “Será a afirmação de que a arte, a cultura e o conhecimento são ferramentas essenciais de sobrevivência para o povo pobre, preto e periférico.”

Ao comentar o significado simbólico da data, GOG reforça que o encontro tem o papel de manter viva a mobilização construída pelo hip hop ao longo de décadas. “Combinamos de não morrer e estamos vivos. Precisamos comemorar”, resume o artista.

O evento nesta quarta-feira (12) também valoriza a economia criativa e o fortalecimento da produção periférica com a Expo Perifa, espaço de gastronomia, moda e artesanato, em parceria com o coletivo Gastronomia Periférica.

Entre as atividades está previsto um debate com o tema O Hip Hop e a Nação Brasileira, que vai reunir nomes como Regina Lúcia e Miltão (MNU-SP), Bonga (MAC), Chamas (Voz Sem Medo), Babi MC, Ferréz e Renan (Inquérito), sob mediação de Fabi Girl. A ideia será discutir o papel da arte na luta contra o racismo, a exclusão e a violência nas periferias.

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Serviço

Festival GOG (Com)Vida

Local: Teatro dos Bancários – 314/15, Asa Sul, Brasília (DF)

Data: 12 de novembro

Horário: A partir das 15h

Ingressos disponíveis no Sympla neste link.

Editado por: Clivia Mesquita

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