CULTURA POPULAR

Festival Guriatã estreia na Paraíba celebrando cocos, cirandas e mazurcas com mestres e artistas da cultura popular nordestina

Evento gratuito acontece de 14 a 16 de novembro em João Pessoa e Conde com shows, oficinas e rodas de conversa

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Carlinhos e Mestre Dude – Mazurca de Santa Catarina -Assentamento Santa Catarina – cidade Mmonteiro | Crédito: Foto: Zé Silva Arte e Cultura.

Entre os dias 14 e 16 de novembro, a Paraíba será palco da primeira edição do Festival Guriatã – Encontro de Cocos, Cirandas e Mazurcas. O evento, que acontece no Espaço Energisa, em João Pessoa, e na Fazenda Coração de Mãe, no município de Conde, reúne mestres da cultura popular, artistas, pesquisadores e o público em geral para celebrar e fortalecer as tradições nordestinas com um olhar contemporâneo.

Programação completa no site: festivalguriata.com e e nas redes sociais do evento | Reprodução

Idealizado por Zé Silva, com produção do Coletivo Estrela Dalva e da B15 Arte, o festival nasce como um espaço de articulação e visibilidade para manifestações culturais que resistem ao tempo e à lógica do mercado. “O Guriatã não é um resgate, é um despertar. Queremos acordar as brincadeiras que nos formam, que nos ensinam e que nos conectam com nossos ancestrais”, afirma Zé Silva.

Programação reúne mestres e novas gerações

A programação do festival é um verdadeiro mosaico da cultura popular nordestina. Entre os destaques estão o Samba de Coco Raízes de Arcoverde (Pernambuco), Mestre Zé Zuca e Caiana dos Crioulos (Paraíba), Verdelinhos (Alagoas), Samba de Parêia da Mussuca (Sergipe), Mestre Bule-Bule (Bahia), além de grupos como Coco do Congo, Ciranda dos Tupinambás, Coco de Iguape, Coco de Zambê, Mestre Inácio e as Ceguinhas de Campina Grande.

Além das apresentações musicais e de dança, o público poderá participar de oficinas práticas, rodas de conversa e vivências educativas. As atividades propõem uma imersão nas tradições, conectando arte, ancestralidade e território. Toda a programação será registrada em um documentário média-metragem, com o objetivo de ampliar a difusão dessas manifestações e fomentar o turismo cultural nas comunidades envolvidas.

Um espaço de escuta e reinvenção

Para a equipe da B15 Arte, o Guriatã é mais do que um festival: é um espaço de escuta, troca e reinvenção. “Nosso papel é potencializar essas vozes e construir pontes entre a cultura popular e as linguagens contemporâneas, com respeito, beleza e coerência estética”, afirma a curadoria do evento.

A proposta é que o festival se torne um espaço permanente de diálogo entre mestres e aprendizes, tradição e inovação. “Queremos que o Guriatã seja um lugar onde a cultura popular não apenas sobreviva, mas floresça, se reinvente e inspire novas gerações”, complementa a equipe da B15 Arte.

Tradições reconhecidas e em movimento

As expressões celebradas pelo festival como coco, ciranda e mazurca, foram reconhecidas como patrimônio imaterial da Paraíba em 2021. Em 2025, o movimento conquistou uma vitória histórica: a criação do Dia Nacional dos Cocos, Cirandas e Mazurcas, celebrado em 26 de julho. Além disso, está em curso o processo de reconhecimento dessas manifestações como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Zé Silva destaca que essas conquistas são fruto de uma mobilização coletiva que parte da Paraíba e ecoa por todo o Nordeste. “Foram anos de luta por políticas públicas que valorizassem nossas tradições. Agora, com o Guriatã, damos um passo importante para consolidar esse movimento. Queremos que, no futuro, essas expressões também sejam reconhecidas pela Unesco como Patrimônio Imaterial da Humanidade”, projeta.

Inscrições e acesso

O Festival Guriatã é gratuito e aberto ao público. As inscrições para oficinas, rodas de conversa, credenciamento de expositores e camping estão disponíveis no site oficial: festivalguriata.com. A expectativa é de que o evento reúna centenas de pessoas ao longo dos três dias, fortalecendo os laços entre comunidades, artistas e pesquisadores

Culminância e um novo começo

Embora esta seja a primeira edição do Festival Guriatã, o evento é fruto de um processo de destaque e valorização da cultura populas nordestina. Desde 2018, mestres e coletivos vêm articulando encontros, seminários e ações de base para fortalecer o coco, a ciranda e a mazurca. A conquista da data estadual em 2021 e, posteriormente, do Dia Nacional em 2025 são marcos importantes, e o Festival surge como culminância dessas trocas de saberes.

“Os últimos sete anos foram de luta por políticas públicas que valorizassem nossas tradições. Conquistamos uma data estadual, em 26 de julho, dia de Nossa Senhora de Santana, para celebrar o coco, a ciranda e a mazurca. Agora, o Guriatã surge para reunir mestres, dançantes e pesquisadores em torno desse mesmo propósito: manter vivas as raízes, sem que a cultura perca sua essência diante da lógica comercial”, explica Zé Silva.

festivalguriata
Editado por: Cida Alves

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