No dia 25 de novembro, Brasília será novamente o palco da 2ª Marcha das Mulheres Negras. O evento deve reunir um milhão de participantes do Brasil e outros países da América Latina. Dez anos após a histórica mobilização, o ato retorna com os temas “reparação e bem viver”, reafirmando o protagonismo das mulheres negras na construção de um projeto de sociedade baseado na dignidade, na equidade e na justiça social.
Terlúcia Silva, do Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, afirma que o retorno às ruas tem um caráter simbólico e estratégico, sobretudo para a organização política das mulheres negras. “O dia 25 de novembro é a culminância de um processo intenso de mobilização desde 2023”, afirma.
A Marcha das Mulheres Negras 2025 é uma reedição simbólica da caminhada que, em 2015, reuniu cerca de 100 mil mulheres de todo o país. Desta vez a expectativa é multiplicar esse número por dez, ampliando o alcance político e social da mobilização. O movimento nacional das mulheres negras volta às ruas da capital federal com o propósito de reafirmar a luta por um país mais justo.
Conheça as pautas
O conceito que move o evento este ano é o bem viver, que propõe uma sociedade onde o cuidado, o respeito e a coletividade orientem as políticas públicas. Para as organizadoras, isso significa garantir direitos básicos, como educação, saúde, moradia, segurança, cultura e lazer e condições dignas para todas as pessoas, especialmente para as mulheres negras, que enfrentam as maiores desigualdades do país.
De acordo com Terlúcia Silva, o bem viver é também uma proposta de transformação profunda da sociedade. “Quando a gente traz a perspectiva do bem viver, estamos falando de uma sociedade que reconheça cada ser vivo, humano ou não. É pensar o bem viver como uma relação com a natureza, com os povos e com a diversidade que existe”, explica.
A reparação também aparece como eixo essencial da marcha. Ela reivindica políticas concretas que reconheçam e revertam os efeitos históricos da escravidão, do racismo e do sexismo, ainda presentes nas estruturas sociais e econômicas do Brasil.
Nesse sentido, Silva destaca que a reparação é uma demanda concreta. “A gente está dizendo ao Estado brasileiro que fomos historicamente negligenciadas e que precisamos de respostas concretas para ter acesso a direitos e a uma vida digna”, ressalta.
As mulheres negras também cobram enfrentamento efetivo ao machismo, à violência de gênero e ao racismo institucional, bem como maior representatividade em espaços de poder e decisão.
As reivindicações por reparação tratam da implementação de políticas públicas, e também a titulação e regularização dos territórios quilombolas e do fortalecimento das comunidades rurais.
Programação
A edição de 2025 prevê uma programação intensa. A concentração para a grande marcha do dia 25 está marcada para as 8h30 no Museu Nacional, de onde as participantes seguirão em caminhada até o Congresso Nacional.
Entre 18 e 25 de novembro, Brasília receberá uma série de ações culturais e políticas. Estão previstas rodas de conversa, oficinas, intervenções urbanas e celebrações do Dia Nacional da Consciência Negra. Durante o Encontro Transnacional, de 21 a 24 de novembro, lideranças negras do Brasil, América Latina, Caribe, África, Europa e América do Norte debaterão estratégias de fortalecimento de redes globais.
Nesse mesmo período, a cidade também sediará o Encontro Nacional de Casas BallRooms, inspirado na cultura negra LGBTQIA+, reforçando a importância da interseccionalidade dentro da luta antirracista.
Ao ocupar novamente as avenidas da capital federal, a Marcha das Mulheres Negras reafirma seu compromisso com a vida e com o futuro. Mais do que um ato político, o evento simboliza a esperança de uma sociedade onde meninas e mulheres negras possam viver sem medo, com dignidade e liberdade.
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