AVANÇO

Propostas que colocam água como direito fundamental são aprovadas em Belo Horizonte

Medidas podem colocar preços justos na água em comércios e também implementar bebedouros gratuitos na cidade

No audio source provided.
Projeto de Lei 95/2025 institui a obrigatoriedade da instalação de bebedouros em praças, parques, calçadões e outros espaços públicos de grande circulação em Belo Horizonte. | Crédito: Foto: Vick Francis/DFID

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovou, em 2º turno, nesta quinta-feira (13), uma Proposta de Emenda à Lei Orgânica da cidade que reconhece o acesso à água como direito fundamental. A proposta estabelece políticas públicas na área, como promover preços justos em lares e comércios da capital. 

Apresentado pela vereadora Luiza Dulci (PT), o projeto  agora segue para sanção da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). 

“Tratar a água como direito é tratar com seriedade a vida, a saúde e a justiça ambiental”, afirma a vereadora. “Orientada pela perspectiva do bem viver, BH tem a chance de abrir caminho para uma mudança de olhar para a questão”, continua. 

Na reunião de plenário desta quinta-feira, foi aprovado em 1º turno o Projeto de Lei 95/2025, proposto pela petista, que institui a obrigatoriedade da instalação de bebedouros em praças, parques, calçadões e outros espaços públicos de grande circulação em Belo Horizonte. 

O projeto retoma experiências positivas em outros municípios brasileiros com bebedouros conjugados em alvenaria, que diminuem a vandalização, são acessíveis e também fornecem água para animais.

“Diante das ondas de calor e dos períodos de seca mais e mais intensos, garantir o acesso à água potável nas vias e locais públicos para a população que se movimenta pela cidade, com atenção especial também às pessoas em situação de rua, é uma necessidade urgente”, destaca Luiza Dulci. 

“Além de proporcionar mais conforto e qualidade de vida para todos, os bebedouros ainda estimulam a redução do consumo de plásticos de uso único, como as garrafinhas”, continua. 

Avanço

Ambas as propostas foram aprovadas em um momento decisivo para o mundo inteiro em torno das discussões sobre a emergência climática. Em 2023, por exemplo, Belo Horizonte foi a capital que mais esquentou, registrando temperatura 4,23°C acima da média para o mês de novembro.

A Proposta de Emenda à Lei Orgânica soma-se às políticas de proteção às bacias hidrográficas da cidade, dos ribeirões Arrudas e Onça, com suas nascentes, cursos d’água e lençóis freáticos.

“Nossa intenção é colocar a legislação municipal em sintonia com o que há de mais atualizado em termos de promoção da dignidade humana e da garantia de água em quantidade e qualidade”, explica a vereadora Luiza Dulci. 

O texto, segundo a parlamentar, é inspirado em uma resolução de 2010 da Assembleia-Geral das Nações Unidas que reconhece o direito à água e ao saneamento como essenciais para a efetivação de todos os outros direitos humanos. É ressaltada na proposta de emenda a prioridade no uso da água potável para o consumo humano e de animais.

No caso do PL dos bebedouros, Dulci lembra que na capital já existem alguns bebedouros públicos isolados, como o instalado no refúgio climático sediado na rua Carijós, no Centro. A aprovação do PL, com isso, possibilitaria a implantação de bebedouros nos 76 parques e nas quase 800 praças que BH tem atualmente, além dos pontos estratégicos de circulação.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

|

Newsletter