problema de todos

Governo precisa ‘disputar narrativa da segurança pública’, dominada pela extrema direita, diz cientista político

Paulo Ramirez afirma que extrema direita se apoia em programas policiais e discursos de ódio para sustentar agenda

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Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que indicou deputado de oposição para relatar PL Antifacção, apresentado pelo governo, ao lado do presidente Lula (PT)
Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que indicou deputado de oposição para relatar PL Antifacção, apresentado pelo governo, ao lado do presidente Lula (PT) | Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avalia que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda tem espaço para propor debates sobre segurança pública, mas precisa enfrentar o domínio da extrema direita sobre o tema.

“Existe um processo de lavagem cerebral da população que faz com que ela apoie essas atuações mais violentas”, afirma, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Segundo ele, “programas policialescos, podcasts e canais evangélicos” reforçam a ideia de que “os policiais são cidadãos de bem e têm que matar bandido mesmo”.

Ramirez avalia que o governo tenta reagir com uma proposta “constitucional e técnica”, mas enfrenta resistência de parlamentares bolsonaristas. “Segurança pública não deveria ser um tema exclusivo da direita ou da esquerda. É um problema que atinge a todos os cidadãos. O Brasil precisa de um novo pacto social, um novo contrato em relação à segurança pública”, defende.

Para o cientista político, o Projeto de Lei (PL) Antifacção relatado pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) “não tem como ir para frente”. “Seria aprovar um projeto fascista”, critica. Ramirez lembra que versões apresentadas do texto “retiram a autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público” e “pretendem transformar facções criminosas em terroristas”, o que, segundo ele, “é um absurdo jurídico e institucional”.

O professor também avalia que a escolha de Derrite como relator é “um erro estratégico” do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). “Falta habilidade de diálogo com os partidos. Tenta resolver um problema criando outro maior”, analisa. Segundo Ramirez, o movimento faz parte da tentativa da extrema direita de “colocar mais gente sem preparo nenhum para incomodar as candidaturas mais fiéis à Constituição e mais progressistas”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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